Bispos reagem a declaração de FH contra relatório de assembléia
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Clayton Levy 
Indaiatuba, SP, 16 (AE) - Os bispos que participam da 37ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba, no interior de São Paulo, reagiram hoje às declarações do presidente Fernando Henrique Cardoso contra o relatório "Análise de Conjuntura", divulgado ontem (15), durante o encontro episcopal. O texto contém duras críticas à política econômica e diz que o governo FHC vive uma crise de credibilidade. "Se o documento provocou reações, é porque tem conteúdo e mexe com questões que a Igreja tem coragem de denunciar", disse o bispo de Rondonópolis (MT), d. Juventino Kestering. "Outras instâncias deveriam ter a mesma coragem", completou o religioso.
Ele afirmou que, apesar das críticas ao governo, o relatório não é derrotista. "Queremos encontrar caminhos que ajudem o povo", afirmou.
O bispo de Ponta Grossa (PR), d. João Braz de Aviz, rebateu a afirmação do presidente de que o episcopado não deve opinar sobre política econômica. "Além de bispos, também somos cidadãos e sentimos os efeitos da atual política econômica", afirmou. "Nosso objetivo não é intrometer nos assuntos do governo e sim colaborar", explicou.
"Não somos especialistas em economia, mas também não somos bobos", disse o bispo auxiliar de São Paulo, d. Antonio Celso Queiroz.
"Asituação é chocante", disse o religioso, ao comentar o relatório. "Gostaríamos de poder falar sobre outras coisas, mas, a cada ano, é a mesma decepção", disse d. Antonio, referindo-se ao governo FHC.
Para os religiosos, opinar sobre política econômica não contraria a missão evangélica da Igreja. "A denúncia não é uma mazela", disse o bispo de Lages (SC), d. Oneres Marchiori. "Se não fizermos isso, estaremos traindo o Evangelho", afirmou. O bispo disse que a estabilização da moeda "foi um sonho". Para ele, o que mais chama a atenção no relatório é a informação de que há no País cerca de 100 mil excluídos. "Quem ganha salário mínimo já é um excluído", afirmou.


