Bispos querem levar agricultores ao papa
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segunda-feira, 29 de setembro de 1997
Das agências Porto Alegre e Rio 
Raimundo Valentim/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
ProntidãoQuarto do Hospital da Aeronáutica (visto da porta), à disposição do papa João Paulo 2º na visita ao RioDois bispos gaúchos estão tentando levar até o papa João Paulo 2º pequenos agricultores que ontem completaram 14 dias de greve de fome, em Porto Alegre (RS). O protesto reivindica a liberação, pelo governo federal, de crédito subsidiado no valor de R$ 30 milhões que beneficiaria 5.966 famílias. Os bispos gaúchos Orlando Dotti, de Vacaria, e Sinésio Bohn, de Santa Cruz do Sul, comprometeram-se a relatar a situação dos pequenos agricultores ao papa, caso não seja possível colocá-los em contato com João Paulo 2º.
Dotti, ex-presidente nacional da Pastoral da Terra, é o representante brasileiro na Pax Christi Internacional, organismo do Vaticano voltado à promoção da justiça da paz. Bohn responde pela pastoral social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Rio Grande do Sul. O cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales, disse na semana passada que vetaria um encontro de representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) com o papa.
Ontem, ao completar 14 dias em greve de fome, o grupo sofreu a baixa de dois manifestantes, Lourdes Rosseto e João Ferreira, que precisaram ser hospitalizados. A primeira baixa, porém, ocorreu no sexto dia da greve de fome, quando, debilitado, o agricultor Pedro Franz teve de suspender o jejum. Agora, são cinco os manifestantes que fazem greve de fome, só ingerindo água e soro caseiro, no saguão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Os bispos, que lançaram uma nota de apoio aos agricultores, disseram que os representantes da agricultura familiar estão totalmente abandonados pelo governo, embora sejam responsáveis, segundo os religiosos, por 75% da produção de alimentos.
Emergência - Dois quartos com quatros leitos estarão à disposição do papa João Paulo 2º no Hospital de Força Aérea do Galeão, na Ilha do Governador, zona norte, durante sua visita, de quinta-feira a domingo, ao Rio. Além disso, duas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), uma equipe formada por 13 médicos e uma ambulância aparelhada para atendimento de emergência estarão de prontidão para cuidar da saúde do pontífice, em caso de necessidade.
Ontem durante o dia operários de uma empresa particular davam os últimos retoques nos dois quartos, que devem estar prontos hoje. Os dois aposentos receberam papel de parede na antesala, pintura nas paredes e revestimento novo no chão. A varanda, com uma bela vista panorâmica da Baía de Guanabara, também foi reformada.
De acordo com o diretor do hospital, brigadeiro Ricardo Germano, os dois quartos - um para o papa e o outro para a sua segurança - terão, além dos quatro leitos, uma pequena mesa decorada plantas artificiais e quatro cadeiras. Tudo está sendo feito para oferecer tranquilidade e eficiência a João Paulo 2º e comitiva, disse o brigadeiro.
O diretor informou que uma equipe de 13 médicos com especialidades em neurocirurgia, ortopedia, cirurgia cardíaca e torácica, clínica médica, otorrinolaringologia, ortopedia, dermatologia, além de médico intensivista (para UTI) e anestesistas estarão de prontidão. A ambulância, que estará de plantão nos dias de chegada e partida do pontífice na base aérea do Galeão, terá um médico intensivista, uma enfermeira e um fisioterapeuta.


