Giovani Ferreira
De Curitiba
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional Sul 2, está criticando o radicalismo que tomou conta das negociações em torno da reforma agrária no Paraná. Em documento assinado pelo arcebispo de Maringá e presidente da CNBB Sul, dom Murilo Ramos Kriger, os bispos paranaenses fazem um apelo a toda sociedade organizada, cobrando atitudes mais coerentes tanto dos governantes como das lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
A discussão sobre a reforma agrária aconteceu no final de semana, em Curitiba, durante a 21ª Assembléia Regional do Povo de Deus. O padre Carlos Alberto Chiquim, subsecretário da CNBB em Curitiba, observou que se por um lado existe a resistência dos sem-terra em deixar a Praça Nossa Senhora Salete, por outro, há pessoas influentes dentro dos governos que não têm interesse em resolver a questão agrária.
O principal apelo aos governantes é a liberação com urgência dos recursos necessários para a viabilização da reforma agrária no Paraná, prometidos em audiência dos bispos do Paraná com o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro Raul Jungmann, no dia 30 de julho. Ao MST a CNBB pede que as leis sejam respeitadas e que não sejam invadidas terras produtivas, praças ou imóveis que sejam de propriedade pública ou particular.
A liderança do MST espera que o apelo dos bispos sirva para sensibilizar as autoridades da necessidade de se apressar a reforma agrária. Roberto Baggio, líder do movimento, diz que não está havendo nenhum radicalismo por parte do movimento. Sobre a ocupação da praça, explicou que não se trata de uma atitude radical, mas sim de uma luta política que denuncia a ausência de uma verdadeira reforma agrária no Paraná.
Antônio Carlos da Costa Coelho, assessor especial para assuntos fundiários do governo do Estado, disse que reconhece o documento da CNBB, levando em consideração a importância da Igreja como instituição que sempre se preocupou e esteve envolvida com a questão agrária. No entanto, disse Coelho, a questão da terra só pode voltar a ser discutida sobre uma nova ótica quando os sem-terra desocuparem a praça em frente ao Palácio Iguaçu e deixarem as propriedades produtivas que estão invadidas.

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