Lento. Esse é o principal adjetivo com o qual boa parte dos bispos brasileiros define as ações do governo na área social. Na opinião de dom Orlando Dotti, da diocese gaúcha de Vacaria, os atuais ocupantes do Palácio do Planalto não mostram disposição política para resolver os problemas da população mais pobre. Segundo ele, os pobres brasileiros só recorrem a medidas extremas, como o saque, quando se encontram em situações de extrema necessidade e com suas vidas correndo risco. As declarações de dom Orlando foram feitas ontem, no Mosteiro de Vila Kostka, em Indaiatuba, interior de São Paulo, onde acontece a 36ª Assembléia-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Durante todo o dia os 292 bispos que participam do encontro fizeram um retiro espiritual, que teve como tema ‘‘O Espírito Santo na Vida do Bispo e na Missão da Igreja’’. Apenas dois deles puderam encontrar-se formalmente com jornalistas, para uma entrevista coletiva. Na quinta-feira, o arcebispo da Paraíba, dom Marcelo Carvalheira, já havia dito em entrevista coletiva que a doutrina da Igreja não condena atitudes extremadas nas ocasiões em que há risco de vida. (AE)

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