Bispo venezuelano teme que Chávez imponha regime autorirário
Caracas, 29 (AE-AP) - O bispo da cidade de Coro, monsenhor Roberto Luckert, disse ao jornal El Universal que o presidente Hugo Chávez pode impor um governo autoritário na Venezuela, usando a Constituição que será votada dentro de duas semanas.
Na segunda-feira passada, o escritor peruano Mario Vargas Llosa declarou ao mesmo jornal que temia que o governo de Chávez seguisse o mesmo caminho autoritário imposto pelo presidente Alberto Fujimori no Peru.
Monsenhor Luckert declarou que o ex-líder golpista "poderia nos fazer cair em uma ditadura constitucional, pior do que uma ditadura militar porque teria o poder absoluto legitimado pela Constituição".
Chávez negou as afirmações de Luckert em seu programa semanal de rádio. Esta é a mais recente discussão em torno da Constituição proposta, uma das medidas mais polêmicas de Chávez desde que ganhou as eleições presidenciais no ano passado.
A Constituição proposta foi elaborada por uma assembléia constituinte dominada por correligionários de Chávez e tem a ressalva de críticos do governo, que acreditam que as novas leis viabilizam a instalação um regime ao estilo de Cuba, com a concentração do poder nas mãos de Chávez, forte intervenção do estado na economia, repressão à liberdade de expressão, e domínio generalizado dos militares.
Segundo a Constituição proposta, o Senado seria substituído por uma Assembléia Nacional unicameral, que Chávez poderia dissolver caso os membros recusassem três vezes os nomes de seus candidatos a vice-presidente. Além disso, com direito à reeleição, seu mandato poderia se estender a até 13 anos.
Chávez, que goza de popularidade entre os pobres e que fracassou na sua tentativa de golpe em 1992, disse que a oposição à Constituição proposta provém principalmente de grupos econômicos e políticos elitistas, que estão se beneficiado com décadas de corrupção em um país que tem as maiores reservas petrolíferas do hemisfério ocidental.





