O secretário-geral da 26ª Assembléia Ordinária do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), o bispo colombiano Jorge Henrique Jimenez Carvajal, disse ontem que a Igreja Católica na América Latina deve lutar contra o bloqueio econômico imposto a Cuba pelos Estados Unidos. ‘‘Quem sofre com o embargo econômico são os mais pobres e povo cubano precisa da nossa ajuda.’
Carvajal afirmou que a Igreja Católica na América Latina ‘‘está comprometida com o serviço pelos pobres’’, o que não significa um predomínio da Teologia da Libertação. ‘‘Todos os católicos no continente têm hoje consciência da opção preferencial pelos pobres feita pela Igreja.’
Além da miséria, os principais problemas a ser enfrentados pela Igreja na América Latina, segundo o bispo, dizem respeito à violência, ‘‘provocada pelo terrorismo, o narcotráfico e as guerrilhas’’. Carvajal explicou que os presidentes das 22 conferências episcopais do continente prestigiam o evento, que começou ontem, no Mosteiro de São Bento, centro do Rio. Ao final do encontro, sexta-feira, os bispos divulgarão o documento ‘‘Mensagem ao povo da América Latina’’.
Há no continente, segundo o bispo, 50 mil sacerdotes - dez mil deles no Brasil - número ‘‘insuficiente para o trabalho de evangelização’’. Ele afirmou que seria necessário pelo menos o dobro. ‘‘Mas hoje seria uma ilusão acreditar que a Igreja possa atingir este patamar até o fim do século.’ O bispo afirmou que a Igreja ‘‘precisa de leigos preparados e comprometidos para a evangelização dos povos’’.
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves, que esteve ontem no Mosteiro, disse desconhecer o documento divulgado pelo Vaticano a respeito da maior tolerância da Igreja para com os divorciados, as mães solteiras e os filhos de casamentos ilegítimos. Dom Lucas evitou comentar a organização para a visita do papa no Rio. ‘‘Vim de fora e, por delicadeza, não devo opinar ou interferir’’.

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