Bispo nega racismo e diz que casamento não foi realizado por falta de documentos
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 14 (AE) - O bispo de Nova Iguaçu, dom Werner Siebenbrock, e o padre Geraldo Magela negaram, hoje, em depoimento na 57ª Delegacia Policial, em Nilópolis, todas as acusações de racismo feita contra eles pela dançarina negra Hosana de Andrade. Segundo a dançarina, os religiosos teriam se negado a realizar seu casamento com o empresário alemão Gerd Corsten e ainda a ofendido. No depoimento, tanto o bispo quanto o padre afirmaram que a cerimônia não foi realizada porque os noivos não teriam cumprido as normas da Igreja necessárias à sua realização.
Segundo o delegado átila Lafere, o bispo disse que os noivos já estavam avisados de que não poderiam se casar caso não apresentassem comprovantes de que haviam sido batizados na Igreja Católica e também que não eram casados com outras pessoas. "Ele contou que, como Hosana disse que não era batizada, foi pedida uma certidão de batismo de Costern, que não cumpriu as determinações", disse. Ainda de acordo com o policial, o bispo afirmou que jamais insultou Hosana, que, quando prestou queixa, afirmou ter sido ofendida e chamada de "pagã", "mal-educada" e "interesseira". "Aos olhos da Igreja, não existe diferenciação entre negros e brancos", disse em depoimento dom Werner. "Em nenhum momento eu fiz qualquer comentário sobre a raça ou a classe social dos noivos", afirmou. Acusação - Hosana e Gerd contaram ao delegado átila Lafere que dias depois de a cerimônia ser marcada, o bispo (alemão de nscimento) tentou dissuadir Corsten da idéia, alegando que "não daria certo". Hosana - que se apresenta nos shows do cantor Lou Bega - contou à polícia que dom Werner teria insinuado que ela era prostituta, e atribuiu a afirmação ao fato dela se vestir com roupas insinuantes e fazer coreografias sensuais. "Hosana contou que o bispo falou em alemão com Costern que ela queria se casar com ele porque ele era rico e branco, dias antes da data marcada para o casamento", disse o delegado. Tudo foi negado pelo religioso.
A secretária da Igreja São Sebastião de Olinda (onde se realizaria a cerimônia), Rosa Catarina, deverá ser ouvida na próxima semana. O padre Magela contou ao delegado que a secretária testemunhou uma conversa entre ele e os noivos em que o casal pedia os ("insuficientes") documentos de volta porque haviam desistido do casamento. "Iremos ouvir todos que puderem esclarecer se houve ou não preconceito da parte dos religiosos"
disse Lafere. O crime de racismo é inaficançável.


