Bispo nega acusações dos ex-funcionários da Mitacoré
Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O bispo de Foz do Iguaçu, Dom Olívio Fazza, negou ontem as acusações feitas por ex-funcionários da Fazenda Mitacoré. Eles afirmam ter sido pressionados a deixar a área por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que teriam sido incentivados pelo bispo e pela freira Zenaide Guarnieri coordenadora da Pastoral do Migrante na cidade a expulsá-los da fazenda. A freira não foi encontrada para comentar as acusações.
Um grupo de ex-funcionários, formado por sete famílias, está acampado, desde anteontem, em frente à Cúria Diocesana residência e local de trabalho do bispo. Dom Olívio afirmou que não sabe o porquê das acusações mas, segundo ele, podem ter surgido suspeitas após ele abençoar os integrantes da Marcha pela Cidadania, em setembro.
O bispo lembrou que, durante a bênção, fez várias recomendações, principalmente para que não usassem de violência. Também disse ter feito um apelo para que não ocupassem propriedades particulares e terras produtivas. No meio do caminho, eles invadiram a Mitacoré.
Na manhã de ontem, o bispo manteve a primeira conversa com o grupo e autorizou que utilizem água e banheiros da Cúria. Não há por que forçá-los a ir embora. Eles não são culpados dessa situação. O grupo afirmou que irá permanecer no local até que a Igreja Católica negocie uma solução. Eles querem que, pelo menos, seja garantida a permanência das dez famílias de ex-funcionários que ainda estão na Mitacoré. Com 1.098 hectares, a fazenda pertencia ao Grupo Bamerindus e passou ao controle do Banco Central em março de 97. A invasão dos sem-terra ocorreu em agosto do mesmo ano.





