Bispo diz que clima de tolerância com Igreja foi reduzido em Cuba
Havana, 19 (AE-ANSA) - O governo cubano autorizou a realização de apenas dez procissões em toda a ilha durante toda a Semana Santa, no momento em que autoridades da Igreja Católica consideram ter-se reduzido "o clima de tolerância" aberto no regime de Fidel Castro a partir da visita de João Paulo II ao país em 1998.
Monsenhor José Pérez Riera, secretário-adjunto da Conferência dos Bispos Católicos de Cuba, referiu-se hoje às contínuas manifestações promovidas por Havana para exigir o retorno a Cuba do menino Elián González, retido nos EUA, para criticar o tratamento atualmente dado pelo governo às questões religiosas.
Pérez Riera advertiu que "a simultânea e frequente insistência em postulados ideológicos e algumas orientações no camppo educacional, cultural e mesmo nos meios de comunicação fizeram reaparecer uma linguagem que parecia superada."
Para o bispo, tais desvios estão "reduzindo o clima inicial de tolerância experimentado durante a visita do Santo Padre". Aquele clima, segundo o líder religioso, favoreceu o crescimento da Igreja na ilha, sendo hoje maior o número de homens, mulheres
crianças e jovens que se aproximam de nossas comunidades."
Durante a Semana Santa, principal celebração da liturgia católica, as autoridades cubanas autorizaram procissões em seis paróquias de Havana, uma em Cienfuegos, outra em Camaguey e duas em Santa Clara, enquanto pedidos similares de outras dioceses foram rejeitados.
Justamente para a quinta-feira santa, o governo convocou uma manifestação de 100 mil jovens comunistas e estudantes para protestar contra a retenção de Elián González nos EUA. Outra manifestação de proporções semelhantes está marcada para sábado na província de Matanza, enquanto, segundo Pérez Riera, "a ação e os serviços da Igreja ainda não encontraram aceitação e compreensão por parte dos responsáveis de diferentes níveis", nem "uma viabilização correta dentro das estruturas" cubanas.





