Curitiba- ''A doutrina social da Igreja Católica condiz com a reforma agrária, já que a terra é feita para cumprir uma função social, o que não acontece hoje no Brasil.'' Esse foi o tom do discurso do bispo auxiliar de Curitiba, Dom Ladislau Biernaski, que defendeu, ontem, a legitimidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para os cerca de 5 mil trabalhadores rurais sem-terra que participam do 17º Encontro Estadual do MST, em Curitiba.
Segundo Biernaski, para acabar com os conflitos é preciso que aconteça a reforma agrária e, para isso, a Igreja está apresentando ao MST propostas viáveis. Quanto às ocupações, o bispo afirmou: ''Não apoiamos as ocupações em si, mas é a única forma de pressão que os trabalhadores têm''.
O advogado Darci Frigo, que participou do encontro, disse que as ocupações estão sendo feitas de forma pacífica e que são uma lição de democracia aos ruralistas.
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) já informou que fará o ''abril verde'' em resposta ao ''abril vermelho'' anunciado pelo coordenador nacional do MST, João Pedro Stedile. Segundo o presidente da SRB, João Almeida Sampaio Filho, em e-mail distribuído ontem, essa resposta significa que o produtor rural vai responder às invasões com mais produção e renda, já que abril é mês da colheita.
Um dos coordenadores estadual do MST, Célio Rodrigues, comentou que o ''abril verde'' é só uma ''história'' para chamar a atenção. Ele garantiu que não há nenhuma ocupação programada no Paraná este mês.
Ontem, as dez famílias que ocuparam uma área do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama) em Guaraqueçaba (litoral do Paraná) na última segunda-feira transferiram seus acampamentos para a entrada da propriedade. As famílias, que segundo o Ibama não têm ligação com o MST, se retiraram a pedido do órgão, que tem uma liminar de reintegração de posse.
O gerente executivo do Ibama no Paraná, Marino Eligio Gonçalves, informou que as famílias não vão poder permanecer nem na entrada da propriedade porque existe um risco potencial ao ecossistema local. A área, de 6 mil hectares, é um remanescente de Mata Atlântica, que está em processo de classificação para ser transformada em floresta nacional.

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