Dili, 07 (AE-AP) - O bispo de Dili e Prêmio Nobel da Paz, Carlos Ximenes Belo, viajou hoje (07) com um nome falso de Timor Leste para a Austrália para escapar da violência e da anarquia que se apoderou da ex-colônia portuguesa.
Antes de partir da localidade de Baucau - onde se havia abrigado na segunda-feira depois que sua residência em Dili fora atacada e queimada por milicianos pró-Jacarta - Belo pediu ajuda à comunidade internacional para a população timorense.
"Essa não é uma guerra civil, mas um ataque deliberado e planejado em volta de uma mesa pelos militares indonésios, que usam as milícias como peões", declarou Ximenes Belo ao jornal católico italiano Avvenire por telefone.
A resistência timorense denunciou hoje que nos últimos três dias mais de mil pessoas foram mortas em Timor Leste, invadido em 1975 pela Indonésia.
Jean-Luc Metzker, chefe do escritório da Cruz Vermelha em Dili declarou que dezenas de milhares de habitantes de Timor Leste estão sendo desalojados de suas casas por grupos armados apoiados pelo Exército indonésio.
Metzker, que foi enviado para a Austrália com outros funcionários humanitários, denunciou que há um propósito por trás da deportação da população de Dili. Segundo ele, entre 50 mil e 60 mil pessoas já estão sendo levadas para a parte ocidental da Ilha de Timor.
De acordo com o Alto Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) mais de 30 mil pessoas já foram expulsas de Dili desde sábado, quando foi anunciado o resultado do plebiscito favorável à independência de Timor Leste. A Acnur enviará funcionários à localidade de Atambua, na fronteira com Timor Ocidental, para averiguar a situação dos refugiados.
As autoridades indonésias anunciaram hoje que usarão oito navios da Marinha e aviões de transporte do Exército para "ajudar a retirar os refugiados". Numerosos analistas vêem essa operação como uma limpeza étnica e uma polícia de grande envergadura, planejada há muito tempo, com o objetivo de invalidar de fato o resultado da consulta popular.

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