A demora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em resolver a situação de 95 famílias de sem-terra que estão acampadas em Quinta do Sol (67 km ao norte de Campo Mourão) revoltou o bispo da diocese de Campo Mourão, Dom Mauro Aparecido dos Santos. Ele enviou uma carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ministro Raul Jungmann criticando o não cumprimento de acordos firmados pelo Incra. ‘‘Quando a palavra de uma autoridade legitimamente constituída não é cumprida, a democracia fica maculada e violentada, gerando desconfiança, medo, injustiça, violência e anarquia’’, escreveu dom Mauro.
As 95 famílias estão acampadas numa área próxima à Fazenda Roncador, onde 65 famílias foram assentadas no ano passado. O grupo que não conseguiu o assentamento é chamado de ‘‘excedente’’ e conta com cerca de 500 pessoas, incluindo mulheres e crianças. Eles acusam o Incra de não cumprir acordos firmados no ano passado.
O superintendente regional do Incra no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, disse que dom Mauro está equivocado. ‘‘Nosso compromisso é de assentar essas famílias dentro do cronograma de obtenção de novas áreas para fins de assentamento, o que está sendo cumprido’’, afirmou.

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