Bispo critica a ameaça de prisão
O anúncio de que a Polícia Federal vai indiciar e pedir a prisão preventiva de líderes do Movimento dos Sem Terra (MST) causou irritação em diversos setores. O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), bispo católico dom Tomás Balduíno, disse que ‘‘o governo adotou o pior caminho’’. Para ele, o Nordeste não precisa de medidas policiais, mas sociais. ‘‘Houve uma exibição de força jurídica e policial, quando esperávamos mostras de força democrática e a mobilização da sociedade para uma autêntica reforma agrária na região nordestina’’, disse o bispo.
O presidente de honra do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a medida do governo como um erro político. ‘‘Já que não pode prender os famintos, o governo prende os líderes’’, afirmou. Lula também ironizou dizendo que, nessa linha, o governo acabará prendendo Sepúlveda Pertence, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente fez declarações a respeito da legitimidade dos saques em situações em que há risco de vida.
O advogado criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira disse que a prisão preventiva é uma ‘‘medida odiosa’’ e de caráter excepcional. Ela só se justifica quando estão em risco a ordem pública, o andamento do processo ou a futura aplicação da lei, disse o advogado. Mariz de Oliveira pôs em dúvida o argumento de que os integrantes do MST estariam fazendo apologia do crime. Para que isso fique caracterizado, segundo ele, não basta coletar afirmações publicadas em jornais sobre a legitimidade dos saques. ‘‘É preciso que fique clara a ameaça à ordem pública’’, enfatizou.
Para Mariz de Oliveira, que já foi secretário de Segurança em São Paulo e atuou na defesa de Paulo César Farias, o PC, medidas policiais não ajudarão o Nordeste. ‘‘O correto seria o governo dar alimentos e atacar definitivamente a causa da fome, que é a seca.

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