Brasília, 13 (AE) - O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da CPI do Narcotráfico, quer o afastamento do deputado Wanderley Martins (PDT-RJ) da comissão. Biscaia considera que os inquéritos no Ministério Público Federal (MPF) ligando o parlamentar a um traficante e a uma quadrilha de contrabando de armas são "incompatíveis" com os trabalhos da CPI.
Ainda há três inqúeritos no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito de supostos crimes de Martins contra a administração pública, mas o caso está na Procuradoria-geral de República aguardando parecer.
"Por muito menos que isso, a CPI vasculhou a vida e quebrou sigilo bancário, transformando em escárnio público fatos envolvendo muita gente investigada pela comissão", disse Biscaia.
Ele deve defender, em reunião da CPI prevista para amanhã, a discussão do problema. De acordo com as regras regimentais da Câmara, o próprio deputado ou o seu partido precisa oficializar o pedido de seu afastamento da comissão.
Biscaia requereu cópias de três inquéritos que tramitam no MPF sobre a suspeita de envolvimento de Martins com uma quadrilha de contrabando de armas.
"Há três investigações sobre esse caso: evasão fiscal, corrupção e contrabando de armas no Ministério Público Federal, no Rio", disse Biscaia. Segundo o deputado petista, foi apreendida agenda de uma quadrilha de venda ilegal de armas em que constava uma relação com vários nomes de pessoas que teriam recebido dinheiro.
Na lista, aparece o nome de Martins e ao lado as inscrições "14 de julho de 1992, o valor 10 milhões (em moeda da época) e o número da conta bancária no Banco do Brasil". "Foi pedida a quebra de sigilo bancário de Wanderley e verificou-se que o depósito havia sido feito", disse Biscaia.
Em outubro último, o STF negou mandado de segurança pedido por Martins, para anulação de prova (uma fita obtida por meio de escuta telefônica, que o ligaria aos traficantes de armas).
O Supremo considerou a prova válida, porque a escuta fora autorizada judicialmente. No entanto, a tal fita não prova mais nada, porque seu teor foi danificado por pessoa desconhecida da polícia.
O deputado do PT também cita o fato de Martins ter sido filmado, há dois anos, em um churrasco ao lado do traficante Walter Gomes de Carvalho Filho, o Waltinho - fato que acabou gerando a abertura de um inquérito. O traficante, que estava foragido, foi preso no domingo. Em maio de 1998, o Ministério Público Federal abriu um inquérito para apurar o episódio.

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