Biscaia critica trabalho da CPI do narcotráfico no Rio
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Roberta Jansen 
Rio, 14 (AE) - O deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, reclamou hoje que a comissão não conseguiu apontar os grandes líderes do tráfico de drogas no Rio de Janeiro, nem os seus financiadores. "Quem abastece as 3.600 favelas e os mais de cinco mil pontos de venda de drogas no Rio? Como entram no Estado as armas usadas pelos traficantes? Quem financia o tráfico?", enumerou o deputado as perguntas que ficaram sem respostas.
Para Biscaia, faltaram à CPI estratégias de atuação e linhas de investigação pré-determinadas. "Fomos investigando os casos que iam surgindo, sem muita estratégia", afirmou. Na análise de Biscaia, no entanto, os trabalhos da CPI no Rio de Janeiro tiveram também um saldo positivo, como as investigações sobre a quadrilha do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e as apurações sobre os policiais da chamada banda podre da polícia do Rio.
O deputado fez a análise no momento em que está deixando a CPI. Ele era suplente do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) que abrira mão do cargo parlamentar para assumir a secretaria de Planejamento. Com a saída de Bittar do governo, ele rassumirá a vaga na Câmara e na CPI.
Prisões - As investigações sobre a quadrilha de Beira-Mar, iniciadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), levaram à denúncia de 39 pessoas, acusadas de fazerem parte do esquema do traficante. Desse total, 22 estão presas. Os demais estão com a prisão preventiva decretada - entre eles, o próprio Beira-Mar, que estaria foragido no Paraguai. Também a pedido da CPI, foram presos no último dia 31 os policiais Antônio Carlos Cypriano de Mello, Sérgio Roberto Gaponowics, José Luis Magalhães e Ricardo Wilke, acusados de extorquir Beira-Mar e de fazer parte da banda podre da polícia.
A prisão dos policiais foi suspensa dez dias depois por liminar concedida pelo desembargador Sílvio Teixeira de Moreira. Ele entendeu que, como extorsão não é crime hediondo, a prisão temporária não poderia ser de mais de dez dias. Apesar disso, por intermédio das investigações, a CPI conseguiu estabelecer ligações entre a quadrilha de Beira-Mar e a Polícia do Rio. Em Maricá, na Região dos Lagos, as investigações da CPI levaram à prisão do traficante Wilson Carlos Weirich, que trabalhava com Beira-Mar. Na cidade, foi desbaratado um esquema de utilização do aeroporto local como parte da rota do tráfico internacional.


