Bird propõe melhor distribuição de renda
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terça-feira, 07 de outubro de 2003
France Presse 
Cidade do México - O estudo ''Desigualdade na América Latina e no Caribe: ruptura com a história?'', divulgado ontem pelo Banco Mundial (Bird), propõe a redução das desigualdades através de instituições mais abertas e justas, de um maior acesso a serviços públicos e de uma melhor distribuição de renda.
Na América Latina, os 10% mais ricos ficam com 48% de toda a riqueza, enquanto os 10% mais pobres recebem apenas 1,6% do total. Nos países mais industrializados a proporção é de 29,1% e 2,5%, respectivamente. Isso significa que a América Latina e o Caribe são duas das regiões ''com maior desigualdade no mundo'' em matéria de distribuição de renda, acesso a serviços como educação, saúde, água e eletricidade, além de participação na riqueza, bens e oportunidades.
''Os dados mostram que a desigualdade no país menos desigual da região (Uruguai) é maior do que a do país mais desigual da Europa e dos países industrializados'', adverte o texto.
Países como Argentina, o próprio Uruguai e a Venezuela tiveram aumento da desigualdade nos últimos anos, enquanto o Brasil e México parecem ter experimentado uma melhoria, explica. Elaborado por 12 especialistas da região, o texto sugere aos países realizar reformas políticas, sociais e econômicas como meio de superar a pobreza e que as políticas públicas ajudem aos grupos marginalizados, que na América Latina são os índios e os negros.
Os altos níveis de desigualdade de renda observado na América Latina diminuem o ritmo de redução da pobreza e desacelera o crescimento econômico. Além disso, dificulta a possibilidade de administrar a fragilidade econômica da região e de melhorar a qualidade das respostas macroeconômicas às frequentes crises. Também faz com que os crimes violentos aumentem, segundo o estudo.
A distribuição dos recursos na região segue o padrão estabelecido na época da colonização européia, destaca o relatório. No setor educacional, em particular, os autores pedem que os países peçam ajuda ao setor empresarial para melhorar a cobertura e a qualidade da educação primária e secundária, e de programas para evitar a evasão escolar.


