Brasília, 09 (AE) - O Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), ou Banco Mundial, divulgou hoje uma nota oficial afirmando que a sua "previsão operacional oficial" para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no ano 2000 "é de 3,5% a 4%" e não de 2 5%.
A representação do Bird em Brasília negou, portanto, a autoria da estimativa de 2,5% mencionada em reportagens publicadas pelos jornais brasileiros na quarta-feira.
Na nota oficial, a direção do Banco Mundial diz que a previsão de 2,5% não consta do relatório sobre as Perspectivas Econômicas Globais e dos Países em Desenvolvimento em 2.000, divulgado na terça-feira, em Washington. De acordo com a instituição, o relatório é voltado para estimativas regionais e não por países.
O diretor do Banco Mundial para o Brasil, Gobind Nankani
diz, na nota oficial, que a instituição "aplaude a atuação do governo brasileiro na área fiscal em 1999". Segundo ele, "essa atuação previdente e responsável, que conta com o apoio da sociedade, possibilitou resultados fiscais históricos".
Para o Banco Mundial, "a continuidade desse processo (de atuação do governo na área fiscal) assegurará ainda mais o crescimento sustentável para o futuro".
A nota do Bird conclui dizendo que "igualmente, os grandes esforços do governo para a conclusão das reformas administrativa, previdenciária e tributária são amplamente reconhecidos e louvados pelo Banco Mundial".
Confusão - Na terça-feira passada, o Banco Mundial divulgou, em Washingoton, o relatório Perspectivas Econômicas Globais, no qual fazia uma revisão (para baixo) das previsões de longo prazo para os países em desenvolvimento.
Em 1998, os mesmos economistas achavam que o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina e do Caribe cresceria a uma média anual de 4,4% entre 2002 e 2008. Este ano, suas expectativas baixaram: o aumento seria de apenas 4,2%.
Para as suas previsões regionais, os economistas utilizaram estatísticas de cada país, mas esses números não foram incluídos no relatório.
A pedido dos jornalistas e de seu chefe, Uri Dadush, um dos integrantes da equipe, Mick Riordan, consultou as tabelas e disse quais eram as estimativas de crescimento da economia brasileira, que foram usadas na elaboração do relatório.
Para 1999, a equipe responsável pelo relatório prevê uma queda de 0,4% do PIB (soma de tudo que se produz no País) e para o próximo ano, um crescimento de 2,5%.
Essa cifra é diferente daquela utilizada pelo Bird e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no programa de apoio financeiro ao Brasil. Por essa razão, houve um desmentido.
Segundo William Shaw, outro economista que participou da elaboração e da divulgação do relatório, o Bird estabeleceu uma política para evitar esse tipo de polêmica: não divulga números de países, somente de regiões.
Sem querer confirmar nem desmentir as cifras dadas por Riordan, Shaw explicou que as previsões feitas por sua equipe são usadas apenas para o relatório. "Não são avaliadas pelo FMI nem são utilizadas pelo Banco Mundial na negociação de programas", disse o economista.
A preocupação do Bird é que o relatório estivesse sendo utilizado pela imprensa para criticar o programa de apoio financeiro negociado pelo próprio Banco Mundial e o FMI com o Brasil. Ao divulgar o documento, Dadush insistiu na necessidade de o governo brasileiro equilibrar suas contas.
O governo brasileiro reagiu à notícia da estimativa do Banco Mundial. O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o relatório e reafirmou que o País crescerá 4% no ano 2000, conforme números que vêm sendo divulgados pela equipe econômica. O presidente disse que o dono da razão será descoberto com o tempo.

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