Bird mantém apoio a reforma agrária de mercado no Brasil Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 15 (AE) - O Banco Mundial (Bird) mantém a posição de apoiar seu projeto de reforma agrária de mercado no Brasil, que considera um dos mais bem sucedidos e que está sendo inclusive copiado por outros 10 países. Essa foi a resposta que a instituição enviou, sexta-feira passada, ao pedido de investigação do projeto (conhecido como Banco da Terra), feito por 12 Organizações Não-Governamentais (ONGs) brasileiras e 853 indivíduos.
"O Bird considera que o projeto é bom, que suas metas têm sido cumpridas e que serve como um complemento ao processo de reforma agrária no Brasil", informou nesta segunda-feira (15) um porta-voz da instituição.
Não é o que pensam representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra, entre outros.
Em dezembro passado, essas e outras organizações entraram com um pedido junto ao Painel de Inspeção do Bird, para que investigue e, em última instância, impeça o projeto Banco da Terra, que absorverá investimentos de US$ 2 bilhões ao longo dos próximos quatro anos. Metade do dinheiro é do Bird e a outra metade do governo brasileiro.
Uma missão de representantes da Igreja, do PT e de organizações rurais tinha prevista uma viagem a Washington, essa semana, para seguir de perto o tema, mas acabou adiando a visita para o próximo mês. O grupo que contesta o projeto preferiu esperar que o Painel faça seu primeiro pronunciamento - algo que ocorrerá daqui a três semanas, depois de ter examinado as denúncias feitas em dezembro passado e os argumentos de defesa, apresentados na última sexta-feira.
Os defensores do projeto dizem que a fórmula, de facilitar a compra de terras, é apenas um complemento ao processo de reforma agrária e não um substituto para a desapropriação de terras improdutivas. Mas quem denuncia insiste que, mesmo assim, os supostos beneficiados estão sendo prejudicados, porque recebem empréstimos a juros muito altos.
O Painel de Inspeção (um instrumento independente, para avaliar os programas do Bird) decidirá em abril se acha necessário ou não fazer uma investigação. Mas a decisão final será tomada pelos 24 diretores do Banco Mundial - e esse é justamente outro problema que será discutido no próximo dia 24.
As ONGs dizem que as decisões da direção do Bird têm sido tomadas com base nos interesses políticos dos países membros (grandes devedores, como Brasil e Índia, consideram as investigações do Painel uma forma de ingerência em seus assuntos internos). Dos 12 pedidos de investigação feitos até hoje, apenas um foi realizado da forma como se esperava, argumentam as ONGs. No próximo dia 24, o Painel discutirá como deve atuar no futuro.





