Bird libera verba para combate ao fogo
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quinta-feira, 26 de março de 1998
Das agências 
A pedido do governo federal, o Banco Mundial (Bird) irá emprestar ao Brasil entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões para o combate ao incêndio de Roraima, informou o diretor do banco para a América Latina e Caribe, Gobing Nankani. O montante não está definido ainda. Pode ser entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões. Isso pode ser feito rapidamente, em uma semana, afirmou Nankani. O pedido de empréstimo foi encaminhado ontem por meio de carta assinada pelo ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause. Um dia antes, o Bird já havia mandado correspondência ao governo oferecendo ajuda. O dinheiro será liberado com rapidez porque o Brasil já tem um pedido de empréstimo em andamento junto ao Bird.
O governador de Roraima, Neudo Campos, disse ontem que o governo federal demora a enviar recursos e ajuda para combater o fogo no Estado. Ainda não chegou nenhum centavo até agora. Enquanto isso, o fogo vai se alastrando, disse. Campos esteve ontem em São Paulo gravando um pronunciamento que deverá ir ao ar nos próximos dias nas redes de TV de seu Estado.
No pronunciamento, ele culpa o governo federal pelas dificuldades enfrentadas no combate ao incêndio. Mesmo o que eles já mandaram (homens) ainda é pouco. O fogo já estava ardendo, a gente estava anunciando e a ajuda demorou a chegar. E chegou insuficiente , disse, após a gravação. O governador criticou também a indecisão do governo federal em aceitar ajuda externa para o combate ao fogo. Quando a Argentina me ofereceu ajuda, eu aceitei na hora. E eles chegaram no dia seguinte, disse o governador.
O Centro da Vila Apiaú, a 150 quilômetros de Boa Vista, em alguns momentos parece um província argentina. E a causa não são apenas os dois helicópteros da Força Aérea Argentina, que despertam a atenção das crianças, estudantes e dos pequenos agricultores no antigo campo de futebol da vila, hoje transformado em campo de pouso. A presença e a eficiente atuação dos argentinos desperta ciúmes até do governo brasileiro.
No Palácio do Planalto, assessores do presidente Fernando Henrique Cardoso lamentam a falta de habilidade do governo com a opinião pública internacional. Diplomatas do primeiro escalão comentam que a Argentina vem aproveitando o incidente para mostrar a agilidade do governo Menem - sempre em campanha por reeleição - no combate a incêndios.
Uma foto de satélite, mostrando grandes focos de incêndio nas vizinhas Guiana e Venezuela, é o exemplo citado da falha na propaganda brasileira. É um problema que atinge três países e só se fala no Brasil, disse um diplomata, que com base em avaliação dos responsáveis pela política ambiental. Ele afirma que o incêndio venezuelano rivaliza em extensão com o brasileiro.
Em Apiaú, o campo de pouso é administrado pelo Programa Nacional de Manejo de Fogo, uma organização de bombeiros voluntários. Bem próximo, está o acampamento dos 127 argentinos que deixaram seus afazeres em Buenos Aires para apagar o fogo em Roraima. Alguns são médicos, ex-combatentes ou militares aposentados, todos com grande experiência no combate ao fogo, vestidos com macacões amarelos e laranja, para identificar cada brigada e facilitar a identificação. À noite, fazem o planejamento, nas barracas dentro da vila Apiaú, onde estão hasteadas as bandeiras da Argentina e do Brasil.
Na linha de fogo, atuam com os brasileiros, mas são os únicos a usar helicópteros para jogar água nos grandes focos em locais de difícil acesso. No início, foram criticados por oficiais do Corpo de Bombeiros de Brasília, pelo método de apagar o fogo despejando água das alturas. Os próprios habitantes de Apiaú, porém, comprovaram o sucesso do método que, agora, deve ser copiado pelos brasileiros, com helicópteros próprios.


