Bird financia programa antidesperdício no Brasil
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 21 (AE) - O Banco Mundial (Bird) vai liberar um empréstimo de US$ 43 milhões para o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) no início do próximo ano. O dinheiro vai para programas de produção de energia e combate ao desperdício.
O especialista em energia e consultor da Eletrobrás Howard Geller, que intermediou as negociações entre o governo brasileiro e o Bird, afirma que as campanhas pelo uso racional de eletricidade são indispensáveis para afastar o risco de racionamento nos próximos meses.
A preocupação com o falta de energia vem crescendo por causa da estiagem, que baixou o nível dos reservatórios das hidrelétricas. Além disso, o consumo vem batendo recordes e o programa de produção de energia térmica está atrasado.
Segundo o consultor, a maioria das concessionárias não tem programas eficientes de uso racional de energia. Além disso, 99% das indústrias utilizam motores de baixa eficiência. "O País pode economizar em um ano 4 mil megawats só no setor industrial."
No setor comercial, ele cita que escolas, hospitais, lojas e escritórios deveriam usar lâmpadas de baixo consumo. Embora mais caras, elas permitem economia que compensa em pouco tempo o gasto maior. "Há muito desperdício, até na iluminação pública."
No segmento residencial, o maior problema está nos chuveiros. "No horário de pico, entre 18 e 19 horas, várias pessoas chegam em casa e vão para o banho ao mesmo tempo, o que provoca um consumo absurdo de energia", diz.
Segundo Geller, se 25% dos consumidores da região metropolitana de São Paulo não ligassem os chuveiros nesse período, a economia seria de 400 megawats, quase a produção da usina de Três Irmãos, da Cesp. "Só essa medida resolveria boa parte do risco de desabastecimento", afirma, sugerindo a adoção de descontos para quem concordar em não ligar o chuveiro no horário de ponta.
O especialista, que também é diretor-executivo do American Council for Energy, Eficiency and Economy, organização não-governamental norte-americana, lembra que a energia no Brasil é cara e, portanto, sua economia beneficiaria a todos. Ele diz que cada quilowat/hora de energia em 98 custava R$ 0,15, o dobro da dos Estados Unidos.


