BIRD elogia política econômica brasileira
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Gustavo Paul 
Brasília, 04 (AE) - O Banco Mundial (BIRD) elogiou hoje a política econômica adotada pelo Brasil desde o ano passado e considera que o País tem, ao lado do México, as melhores condições para atrair investimentos estrangeiros na América Latina. "Temos uma opinião positiva sobre as perspectivas do Brasil, que se preparou bem para o mundo globalizado", afirmou o vice-presidente do Banco para a América Latina e Caribe, David de Ferranti. "Concordamos com a política que o Brasil vem adotando."
A estimativa do Bird é que a economia brasileira possa crescer realmente entre 3,5% a 4% este ano, como prevê o governo. "O que temos visto nos encoraja muito", disse o economista-chefe para América Latina e Caribe, Guillermo Perry. "No ano passado, houve um ajuste fiscal sem precedentes, acompanhado por reformas estruturais importantes." A economia do continente deverá crescer 3,6% e a inflação média da região tende a cair de 7,4% em 1999 para 7% este ano, 6,6% em 2001 e 5 9% em 2002.
O Bird divulgou hoje o Relatório sobre Financiamento do Desenvolvimento Global 2000, que projeta o crescimento na economia dos países em desenvolvimento este ano de 4,6%, chegando a 4,8% nos próximos dois anos. O banco recomenda que os países em desenvolvimento adotem medidas para controlar melhor os fluxos de capital de curto prazo, o chamado capital especulativo, como uma salvaguarda contra novas crises financeiras globais.
"Chegamos à firme conclusão de que devemos tomar medidas para reduzir os aspectos perniciosos da volatilidade dos fluxos de capital", afirmou no relatório o diretor do Grupo de Perspectivas do Bird, Uri Dadush. "Chegou a hora de refletir sobre as lições da crise a fim de proteger melhor a economia mundial no futuro".
O banco teme os efeitos da saída súbita deste capital na economia dos países em desenvolvimento. Outra sugestão a estes países é a elevação do nível das reservas e das linhas de crédito internacional "das quais possam sacar em momentos de necessidade".
De acordo com Perry, não há uma fórmula pré-concebida para exercer esse controle sobre o capital de curto prazo. "Não recomendamos medidas específicas", ressaltou. Ele citou como bom exemplo de controle o depósito no Banco Central de 15% dos recursos externos aplicados no país, como ocorre no Chile e na Colômbia. Esta medida desestimularia o ingresso do capital volátil. Foi citada ainda a adoção de um tratamento tributário diferenciado para este tipo de recurso.
O Bird desaconselha a instituição de quarentenas para assegurar a permanência dos recursos nos países, evitando saídas abruptas. "Não somos contra o financiamento de curto prazo, pois os países precisam dele", disse o economista do Bird. "Mas, quando o volume destes recursos fica muito grande, é preciso adotar medidas para que se atrase sua saída", explicou.
As perspectivas da economia mundial são consideradas positivas pelo Banco Mundial. Nos próximos anos se espera a recuperação gradual nos fluxos do mercado de capital em todo o mundo, que deverá crescer 42,8% entre 1999 e 2001. Esse fluxo deverá passar de US$ 161 bilhões em 1999, para US$ 185 bilhões este ano e até US$ 230 bilhões em 2001.
Nos últimos anos, os fluxos de investimentos externos diretos não só persistiram durante a crise quanto passaram a ser
segundo o relatório, "a maior fonte de financiamento de logo prazo do desenvolvimento para os países em desenvolvimento e a mais estável". Desde 1991, o volume de recursos cresceu 448%, passando de US$ 35 bilhões para US$ 192 bilhões em 1999.
Na América Latina, o Brasil e o México poderão receber boa parte desses recursos. "Existe muita riqueza sendo gerada nos Estados Unidos e na Europa, que busca algum lugar para investir", disse Ferranti. Um dos destinos deverá continuar sendo o Brasil. "A imagem do País é muito mais positiva hoje", lembrou, citando a adoção do câmbio flutuante no ano passado, a reforma fiscal e administrativa e até a lei de Responsabilidade Fiscal. "Há um ano não estaria falando a mesma coisa." A economia brasileira tem, segundo o relatório, outras boas perspectivas. De acordo com Perry, há uma tendência clara de aumento no preço dos produtos agrícolas e minerais nos próximos dois anos. Além disso, o banco acredita que os investimentos feitos na produção pelas empresas privatizadas e as próximas desestatizações são fatores importantes para o desenvolvimento na economia.


