Bird e BID ameaçam não liberar mais recursos para estradas
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Milton F. da Rocha Filho 
São Paulo, 01 (AE) - O País poderá ter uma séria perda de recursos, uma vez que o Banco Mundial (Bird), através do braço financeiro da instituição, o International Finance Corporated (IFC), e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ameaçam não liberar mais recursos para os consórcios privados que administram rodovias porque o governo está mexendo nas tarifas dos pedágios, desrespeitando contratos. O IFC não dará a parcela de US$ 6 milhões de um empréstimo da Concessionária NovaDutra, que chegaria em setembro.
O BID vê com dificuldades o empréstimo de US$ 300 milhões para a concessionária que administra as Rodovias Anhaguera e Bandeirantes, que ligam São Paulo ao interior. Estas informações foram confirmadas pelo presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte
e pelo especialista em concessões Amim Farid Safatle.
Safatle lembrou que "o País não terá recursos suficientes para atender às necessidades de melhoria das rodovias e até construção de novas estradas, se não respeitar os contratos já assinados de concessões". "Esses contratos não podem ficar ao bel prazer dos políticos." Duarte lembrou que o recém-lançado Plano Plurianual (PPA), tem, na parte de investimentos referentes a rodovias, grande parte dos recursos gerados pela iniciativa privada. "Do jeito que vai, os recursos serão bem reduzidos", afirmou.
Safatle lembrou que algumas das grandes concessionárias, por causa desta movimentação dos políticos que não respeitam contratos, estão reduzindo os investimentos ao mínimo necessário. "O Banco Mundial, através do IFC, ou mesmo o BID têm como garantia para empréstimos a receita que as concessionárias têm com os pedágios; como há corte nas tarifas de pedágios, a garantia de empréstimos acaba perdendo-se", disse o especialista.
Duarte lembrou que o setor, em 1998, conseguiu arrecadar cerca de R$ 900 milhões, mas investiu US$ 2 bilhões. "A NovaDutra, por exemplo, aplicou cerca de US$ 400 milhões", explicou. A realidade é que começam as dispensas de trabalhadores nestas concessionárias, diante da redução das tarifas e o futuro incerto que está se criando, advertiu Safatle.


