Bird diz que AL precisa de uma 2Ü geração de reformas
São Paulo, 27 (AE) - O vice-presidente para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial (Bird), Shahid Burki, fez hoje (27) um alerta contundente sobre a situação crítica da economia latino-americana e afirmou que a região precisa de uma "segunda geração de reformas".
No discurso que proferiu durante a abertura do 4 Foro do Bird, em Munique, Burki disse que, com a crise cambial brasileira, é mais necessário do que nunca reforçar as economias da América Latina. "Uma vez que os mercados começam a agir, não há forma de pará-los", afirmou.
Ele explicou, para mais de 300 participantes europeus e latino-americanos, que o Brasil perdeu US$ 7 bilhões de suas reservas em menos de uma semana para salvar a sua moeda. "Os países que não contam ainda com um sistema fiscal adequado têm de adotar medidas que sejam necessárias o mais rápido possível", alertou.
Especialista em América Latina, Burki acrescentou que, além dos déficits no orçamento dos governos centrais, existem déficits semi-escondidos nos orçamentos estaduais, municipais e nos insustentáveis sistemas públicos de previdência social. "Esses dois fatores são, por sua vez, resultado de operações populistas que foram aplicadas na região durante décadas", criticou.
Ele lembrou ainda que 38% da população da América Latina e do Caribe vivem com menos de US$ 2 por dia. "Isso mostra que a distribuição de renda na região é a mais desequlibrada do mundo", disse. Segundo ele, os países latino-americanos precisam reforçar as suas áreas de seguridade social para que aqueles que vivem no limite da pobreza possam sobreviver aos tempos difíceis.
Burki criticou de forma contundente os atuais regimes políticos da região, já que desperdiçaram a oportunidade de realizar reformas significativas, principalmente na área de educação. "As reformas econômicas realizadas com a aprovação de Washington efetivamente conduziram para um crescimento adicional anual de 2%, mas nenhum país da região, exceto Chile, cresceu de forma sustentável com níves de 6% anual nos últimos dez anos para, com isso, poder tranformar a sociedade", afirmou.
Para ele, o problema maior ainda é a aplicação de políticas populistas, já que boa parte dos gastos no setor de educação foram realizados com o objetivo de manter os postos de trabalho de aqueles que não contavam com o nível de conhecimento necessário para executar os trabalhos para os quais foram recrutados. Burki se referiu a acordos políticos para preencher cargos públicos.





