Convencido de que apenas o crescimento econômico não basta para melhorar as condições de vida dos excluídos, o Banco Mundial (Bird) está realizando em Brasília o Fórum sobre o Desenvolvimento, que tem como tema ‘‘O Ataque à Pobreza’’. O debate, que começou ontem, reúne autoridades da instituição, do governo brasileiro e da sociedade civil, com a espinhosa tarefa de encontrar saídas aos dilemas da miséria e da concentração de renda no País.
A dificuldade de estender ganhos econômicos aos mais pobres, nos países em desenvolvimento, é uma das principais preocupações do Banco Mundial, expressa em seu relatório anual sobre desenvolvimento, divulgado no mês passado. O documento informa que, dos 6 bilhões de habitantes do planeta, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de R$ 4,00 por dia - 1,2 bilhão deles, com menos de R$ 2,00.
O Banco Mundial entende que a redução da pobreza depende da interação de esforços dos mercados, das instituições governamentais e da sociedade civil. Isso reflete a compreensão de que o crescimento econômico, por si só, é incapaz de atingir determinados grupos excluídos.
Para falar de inclusão social foram chamados o diretor-executivo do Movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, e o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jayme Chemello - que no mês passado liderou a realização do plebiscito contra o pagamento da dívida externa. O assunto da inclusão será debatido também em outro painel pela primeira-dama Ruth Cardoso.
O problema da pobreza no Brasil será discutido especificamente em dois momentos hoje e amanhã. O sociólogo Hélio Jaguaribe vai fazer a palestra de abertura do painel ‘‘Pobreza e Desenvolvimento no Brasil’’, hoje, que será aprofundado a seguir em debates sobre pobreza urbana e rural, a questão do gênero e a exclusão digital. Amanhã, Paulo Renato debaterá ‘‘O Ataque à Pobreza no Brasil: Desafios e Opções’’. (A.E.)

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