O Banco Mundial (Bird) e o governo brasileiro poderão investir até US$ 2 bilhões, nos próximos cinco anos, no Banco da Terra - um projeto que deverá entrar em funcionamento depois das eleições presidenciais, e que dá um novo enfoque à reforma agrária. O anúncio foi feito ontem, antes da abertura de uma conferência internacional sobre ‘‘Distribuição de Riqueza, Pobreza e Crescimento Econômico’’.
O vice-presidente do Bird, Joseph Stiglitz, fez questão de abrir a conferência (organizada pela sua instituição e pelo governo brasileiro) porque considera a reforma agrária no Brasil ‘‘uma das mais bem sucedidas no mundo inteiro’’ e um exemplo de suas teorias. Na opinião de Stiglitz, a busca de eficiência não deve ser a única meta do capitalismo - investir em educação e numa melhor distribuição de renda é igualmente importante para assegurar o crescimento econômico.
O ‘‘sucesso’’ brasileiro, citado pelo Banco Mundial, é um projeto piloto da reforma agrária, a Cédula da Terra, que custará US$ 150 milhões (US$ 90 milhões do Bird e US$ 60 milhões do governo brasileiro). O sistema permite aos Sem-Terra se associarem num projeto para obter um crédito que lhes permitirá comprar o lote que escolherem.
‘‘Nossa meta era assentar 15 mil famílias em três anos, em cinco Estados (Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais)’’, disse ontem o representante do Bird em Brasília, Gobind Nakani. ‘‘De dezembro do ano passado até agora obtivemos resultados impressionantes, que nos permitem achar que completaremos a meta de 3 anos em um’’, explicou. No total, já foram assentadas 5 mil famílias, mas os processos de outras 10 mil já estão tramitando.
Segundo Nakani, para o Bird o próximo passo será avaliar os resultados desse programa. Se forem tão bem sucedidos quanto se pensa, acrescentou, o Banco Mundial financiará até US$ 1 bilhão do Banco da Terra - uma continuação do projeto Cédula da Terra. A contra-partida do governo brasileiro será a mesma: mais US$ 1 bilhão. ‘‘Isso está em negociação’’, disse o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungman.
Numa entrevista ontem e num estudo que utilizou para várias de suas palestras, Stiglitz explica a razão do sucesso de projetos como a Cédula da Terra e o Banco da Terra. Segundo ele, os programas do governo brasileiro ‘‘que permitem aos sem-terra escolherem e negociarem a compra da terra, não só permite uma melhor distribuição, como elimina os aspectos conflitivos da reforma agrária’’. Para Stiglitz, o ‘‘timing’’ da reforma brasileira também foi importante: ‘‘O Brasil primeiro reduziu a sua inflação, o que levou a uma queda nos preços da terra, e permitiu que se comprasse mais com um orçamento restrito’’, concluiu.

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