Bioquímico critica 'mito moderno'
Pesquisador da Embrapa, o bioquímico José Marcos Gontijo Mandarino afirma que algumas pessoas e até profissionais se enganam ao dizer que a soja possui hormônio feminino. ''Na realidade o que encontramos na soja são as isoflavonas, substâncias que denominamos de fitoestrógenos, por apresentarem semelhança estrutural com os hormônios estrogênicos, encontrados em maior concentração nas mulheres'', explica.
Segundo Mandarino, o consumo não altera as funções hormonais masculinas. Ele lembra que na China, país que mais consome a soja no mundo, a taxa de infertilidade masculina é de 8%, no resto do mundo a taxa média é de 20%. ''Há regiões na China em que as pessoas consomem até 400g de soja por dia. Isso é significativo. Não há como dizer que a soja seja responsável por esterilidade a partir desses dados, isso é um mito moderno'', afirma.
Mandarino explica ainda que as pesquisas que apontam a soja como causadora de impotência erram no público que seleciona para o trabalho. ''Além de serem tendenciosas essas pesquisas são feitas, muitas vezes, com homens obesos, que por isso possuem menos testosterona, o hormônio masculino'', diz.
O pesquisador é categórico: ''A soja não diminui o número de espermatozóides, mas aumenta a quantidade de esperma. Por isso algumas pessoas erram ao dizer que ela causa a esterilidade, quando consideram a quantidade de espermatozóides por miligrama de esperma''.(B.M.)





