Bioplastia na dosagem certa
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domingo, 11 de março de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Dizem que a vaidade não tem idade. Mas será que tem limite? No caso da bioplastia, técnica utilizada para preenchimento de algumas partes do rosto e do corpo, a dosagem utilizada do produto é fator determinante. É isso que vai diferenciar a busca da beleza de efeitos colaterais graves.
A bioplastia, segundo a dermatologista Rosa Calland, de Londrina, é uma técnica de preenchimento que pode ser utilizada para corrigir imperfeições do rosto ou do corpo. O material utilizado no preenchimento pode ser o polimetilmetacrilato (PMMA) ou o ácido hialurônico mais concentrado. A diferença é que o primeiro é sintético e definitivo, e o outro, orgânico e com durabilidade de um a dois anos.
Tanto ela, quanto o cirurgião plástico Ody Silveira Júnior, também de Londrina, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e membro correspondente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e Estética, são enfáticos em afirmar que a bioplastia tem resultados bons e interessantes, principalmente no rosto, mas que o PMMA não deve ser usado em grandes volumes.
No rosto, o preenchimento pode ser feito para restaurar o relevo da face, corrigir nariz, queixo, maçãs e contorno do rosto, ou ainda para suavizar rugas e sulcos. No corpo, o procedimento é feito principalmente para aumentar o bumbum, já que a técnica mais utilizada para isso - a injeção de gordura retirada de outra parte do corpo - acaba sendo temporária, porque grande parte da gordura é reabsorvida.
Uma das vantagens estéticas do uso do PMMA é que ele pode ser colocado embaixo do músculo, deixando o local onde foi aplicado mais uniforme do que se fossem usadas outras substâncias preenchedoras, colocadas diretamente embaixo da pele.
O problema é a quantidade utilizada. No rosto, atestam os profissionais, não é preciso mais que 2 ml ou até 5 ml da substância, para ter efeitos bons. Já no bumbum, a quantia pode variar de 200 ml a 400 ml. Essa quantia, alertam os médicos, pode criar uma área sem irrigação sanguínea no organismo, e consequentemente sem oxigenação. ''Eu não faço. Não me sinto segura para colocar quantidade tão grande da substância'', afirma Rosa.
O ''corpo estranho'' na região do bumbum, segundo o médico Antonio Carlos Abramo, de São Paulo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, também pode causar reação inflamatória e a formação de cápsulas fibrosas, além de retração no local.
Outra das complicações que o procedimento pode causar é a necrose da pele. ''É raro, mas pode acontecer, se na aplicação a substância embolizar (entupir) um vaso'', explica Silveira Júnior.
Mesmo nos lábios, o preenchimento com PMMA é discutível. Segundo o cirurgião, a substância nessa área pode causar endurecimento. ''Nessa região o melhor é fazer (o preenchimento) com um produto que seja absorvível. Ninguém é dono da verdade, alguns médicos não tem problema com a técnica, mas outros não fazem de jeito nenhum'', avalia.
Uma das utilizações benéficas do preenchimento, segundo Silveira Júnior, tem sido com pacientes com HIV positivo e que fazem uso do coquetel de tratamento. Esses pacientes, explica o médico, tem tendência a perder gordura da face, ficando com uma aparência cadavérica, e o preenchimento ajuda a minimizar isso.


