Biopirataria ameaça espécies
Agência Estado
De Belém
Um desastre ecológico, econômico e científico está prestes a ocorrer na Amazônia, ameaçada pela biopirataria praticada por pesquisadores e colecionadores particulares da Europa e Estados Unidos. A borboleta azul, o besouro de carapaça grande e a aranha caranguejeira, espécies de altíssimo valor no mercado internacional, são os que mais correm o risco de extinção nos próximos anos. O alerta é da responsável pelo setor de fauna do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Pará, Lucimar Paixão.
Segundo ela, a principal forma de evitar o desaparecimento dessas e de outras espécies, como papagaios e araras, é intensificar a fiscalização em aeroportos e portos de todo o País. O delegado da Polícia Federal em Belém, Néder Duarte, argumenta que a PF não faz um trabalho específico, mas apenas incidental contra a biopirataria. Nós sabemos que há muitos estrangeiros levando espécies da fauna e flora da Amazônia, principalmente na região paraense do Baixo-Amazonas.
Em Óbidos e Santarém, municípios vizinhos localizados no oeste do Pará, contrabandistas de borboletas azuis chegam a comprar cada uma por até R$ 300,00 de mateiros e conhecedores das florestas da região. A mesma borboleta é vendida depois a colecionadores particulares, principalmente milionários norte-americanos e europeus, por US$ 15 mil, cerca de R$ 30 mil. De acordo com o chefe de Fiscalização do Ibama no Estado, Nilson Pantoja, em setembro passado foi apreendida em uma agência dos Correios, no bairro do Telégrafo, em Belém, uma caixa com meio quilo de borboletas azuis, capturadas em Óbidos. Elas seriam destinadas a colecionadores da Malásia.
Em 1997, mais de 3 mil besouros de carapaça grande cada um avaliado em cerca de US$ 10 mil , foram apreendidos pela PF no Aeroporto de Santarém. O entomólogo paraense Inocêncio Gorayeb diz que a biopirataria existe há mais de cem anos na Amazônia.
Para ele, nada pode ser comparado ao interesse que o avanço das pesquisas de DNA, genética e biologia molecular passou a despertar em todo o mundo sobre o banco de espécies raras da fauna e da flora Amazônica. Gorayeb acredita que os colecionadores científicos particulares são os maiores clientes dos biopiratas.





