Biólogos do Zôo de São Paulo acham que felino mata ovelhas
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terça-feira, 26 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
Reprodução/Arquivo FolhaControvérsiaA tese de biólogos e veterinários do Zoológico de São Paulo é de que uma onça-suçuarana, ensinando os filhotes a caçar, seja a responsável pelas mortes de ovelhasNão foi um cachorro do mato, mas possivelmente uma onça-suçuarana ensinando os filhotes a caçar a responsável pelas mortes de ovelhas, cabritos e bezerros atribuídas ao chupa-cabras. A tese é dos biólogos e veterinários do Zoológico de São Paulo, que convivem diariamente com cinco cachorros do mato que criam há muito tempo.
Embora mais valentes do que o lobo-guará e capazes de enfrentar o homem, os cachorros do mato são muito pequenos para sequer tentar atacar um carneiro, geralmente não pesam mais do que um cachorro fox-terrier, e se alimentam de passarinhos, roedores e, no auge da fome, são capazes de atacar um galinheiro, explica a bióloga Kátia Cassaro. Para ela, o nome em inglês do cachorro do mato já dá uma idéia de suas limitações, crab-eating fox, isto é, raposa comedora de caranguejos.
Para Katia, é inocente o Cerdocyon thous, nome científico do cachorro do mato, porque os primeiros ataques foram registrados no México e em Porto Rico, onde a espécie não ocorre, pois sua distribuição vai do Uruguai à Venezuela e à Colômbia. O que é mais suspeito, de acordo com a bióloga, é a afirmação de que o animal chupa o sangue das vítimas, pois nenhum predador faz isso, nem mesmo o morcego, que simplesmente lambe a ferida por onde escorre o sangue.
Um dos veterinários do Zoológico, José Daniel Fadullo, explica que não se pode dar crédito sequer à afirmação de que os animais atacados ficam sem sangue, porque uma hora após a morte de qualquer bicho ele pode ser aberto sem que saia sangue porque já estará coagulado dentro dos vasos.
Em junho, caçadores equatorianos afirmaram que mataram um animal em Guaiaquil, mas não apresentaram o cadáver do bicho que teria asas, 1,15 metro e uma cara horrível.
Uma das poucas análises profissionais de vítimas de um suposto chupa-cabras foi feita pelo veterinário Edmar José Cardoso Neves da Silva, em Itapeva. Ele comprovou que o animal atacado não estava sem sangue, embora tivesse sofrido hemorragia e que tinha no pescoço quatro furos triangulares, típicos do ataque de uma onça, lobo ou cachorro.
A inclusão de cachorros entre os prováveis autores dos ataques se explica porque na periferia da cidade estão se multiplicando os cachorros ferais, isto é vira-latas que se tornam selvagens e formam alcatéias que agem como um bando de lobos. Cães ferais já foram identificados na Serra da Cantareira, na mata que cerca o Zoológico e fizeram dois ataques a seres humanos nas matas da Tijuca, no Rio de Janeiro. E uma das características do ataque desses cães, estudados inicialmente no Vietnã, quando as alcatéias se formavam com cães sobreviventes de aldeias de camponeses destruídas, é justamente a matança em série.
O mesmo tipo de matança desnecessária, sem que a presa seja devorada, é feita pela onça parda quando ensina seus filhotes, geralmente dois, a técnica da caça. E nesse caso ela ataca bezerros, como em Ribeirão Preto, em mais um caso atribuído ao chupa-cabras.


