Brasília, 20 (AE) - O biólogo Múcio Nobre da Costa Ribeiro, do Departamento de Qualidade Ambiental (Deamb) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), entrou esta semana com representação junto à 4ª Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural da Procuradoria Geral da República solicitando investigação sobre contaminação por mercúrio no Amapá. Nobre sustenta na sua representação que a contaminação teria atingido toda a Reserva Biológica do Lago Pirituba, no extremo leste do Amapá. O estudo coordenado pela Universidade de São Paulo, feito na Serra do Navio e em Tartarugalzinho, não envolveu a área da reserva biológica.
Depois de fazer uma análise sobre o "Estudo do Ciclo do Mercúrio no Ecossistema da Floresta Amazônica - Avaliação do Impacto da Mineração de Ouro com Utilização de Mercúrio", o biólogo tomou a iniciativa de viajar para a reserva biológica e coletar peixes. Nobre enviou as amostras de peixes que colheu na reserva para o Laboratório de Química Analítica Ambiental da Universidade de Brasília. Entre os oito peixes pesquisados, dois tipos de piranha apresentaram nível de contaminação acima de 600 partes por bilhão (ppb), além do que é recomendado pelas organizações ligadas à área de saúde.
Em um memorando enviado à chefia do Deamb, no mês passado, Nobre sugeria "medidas imediatas de esclarecimento e educação ambiental" junto às populações ribeirinhas do Amapá. Ele disse que os peixes contaminados são vendidos em outras cidades. Na representação, o biólogo solicita à 4ª Câmara de Meio Ambiente que apure quais foram as "ações efetivas" do governo federal quanto aos resultados do estudo científico desenvolvido pelos pesquisadores coordenados pela USP.
O professor Jurandir de Souza, do Departamento de Química da UnB, que realizou o laudo de análise de peixes encomendado por Nobre, afirmou que é necessário estudo mais profundo dentro da reserva biológica.

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