Biólogo defende redução de velocidade para evitar atropelamentos
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de julho de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

"Nossa intenção é propor medidas mitigatórias, com a instalação de placas, radares de velocidade e outras ações para evitar os atropelamentos nas estradas", disse o professor de Ciências Biológicas da Universidade Paranaense (Unipar), em Francisco Beltrão, Fernando Rodrigo Treco. Ele coordena um projeto de iniciação científica para monitorar a morte de animais silvestres e há um ano realiza o mapeamento em alguns trechos de rodovias do Sudoeste do Estado. No ano passado, o monitoramento foi feito em trechos das rodovias PR-483 e PR-180, próximo a Francisco Beltrão, da BR-158, que liga os municípios de Vitorino a São Lourenço do Oeste (SC) e, atualmente, trabalha na BR-280, entre Marmeleiro e Vitorino.
Reportagem publicada no domingo (31) na Folha mostra que a cada segundo 15 animais silvestres morrem atropelados em rodovias e ferrovias que cortam o Brasil, segundo o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), da Universidade Federal de Lavras (MG). Muitas das espécies estão ameaçadas de extinção.
Durante os monitoramentos realizados pelo equipe da Unipar, feitos de bicicleta, o cachorro-do-mato e o gambá-de-orelha-branca são as espécies de mamíferos encontradas mortas com maior frequência nas estradas. Entre as aves, pombos e corujas são bastante comuns. "É muito grande o fluxo de caminhões que transportam grãos e esses grãos que ficam pela estrada atraem os animais", disse Fernando Treco. "O monitoramento é feito a cada 15 dias e o número de atropelamentos é muito grande. Em média, são 20 animais encontrados mortos e cada animal é identificado para que não seja contado novamente", explicou o biólogo. "A melhor forma de evitar os acidentes é a conscientização, chamando a atenção dos motoristas, explicando e distribuindo cartilhas com informações e orientações. As placas nem sempre funcionam. Tem muita gente que não se importa. É preciso reduzir a velocidade nos trechos onde há animais silvestres."
A reportagem entrou em contato com as concessionárias de pedágio no Paraná. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Triunfo Econorte, que administra as rodovias federais que cruzam a região de Londrina,informou que busca adotar medidas para amenizar e prevenir os acidentes por meio de campanhas de conscientização e alertas aos usuários com placas de sinalização. Se houver apreensão de animais silvestres na pista, eles são encaminhados aos batalhões das polícias ambientais e, em caso de atropelamento, a concessionária presta atendimento.
A assessoria de imprensa da Ecovia disse que mantém campanhas educativas e publicitárias permanentes, que incluem banners e painéis informativos ao longo de todo o trecho da BR-277, entre Curitiba e o Litoral do Estado, alertando sobre a existência de fauna silvestre e sobre a importância de se transitar com velocidade adequada nas áreas de preservação.
Segundo a Ecocataratas, embora seja baixa a incidência de atropelamentos de animais silvestres no trecho da BR-277 sob concessão, entre Foz do Iguaçu (Oeste) e Guarapuava (Centro), a empresa realiza projetos de conscientização dos usuários e moradores dos municípios vizinhos por meio de campanhas publicitárias permanentes em painéis e pórticos na rodovia, além de ações de educação ambiental com a comunidade em áreas de preservação.
A RodoNorte, que administra o trecho da BR-376 que corta o Parque Estadual de Vila Velha (Campos Gerais), também mantém painéis nos dois sentidos do trecho para alertar os motoristas sobre a presença de animais silvestres na região com a função de proteger a fauna e evitar acidentes.
A assessoria de imprensa da Viapar disse que grande parte do trecho administrado pela concessionária, na região de Maringá (Noroeste), passa por áreas urbanas e entradas de cidades, sítios, fazendas e vias marginais, o que impossibilita a colocação de proteção na pista ou qualquer outro tipo de intervenção. A Caminhos do Paraná não respondeu à solicitação da reportagem.
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná comunicou que o órgão adota medidas preventivas com base nos registros de cada área, como placas e redutores sonoros. Cada ação é feita após avaliação e determinação do setor de Engenharia Ambiental.


