O Conselho Regional de Biologia do Paraná (CRBio-07) tenta inserir os acidentes com a fauna silvestre entre os temas abordados no processo de formação e reciclagem de condutores. Para isso, uma minuta de resolução tramita no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cema). "Fizemos essa solicitação ao Detran e propusemos apresentar à Escola Pública de Trânsito (EPTran)", explicou a conselheira do CRBio-07 e do Cema e bióloga da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Fernanda Braga. Inicialmente, o material seria disponibilizado no site da EPTran para os instrutores, para que eles inserissem o conteúdo nos cursos de formação, e também para o público em geral.
"A Região Sul do Brasil é a segunda do País com maior número de atropelamentos de animais silvestres. O risco não é só para os animais; um relatório do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que para cada cem acidentes envolvendo animais na pista, são 2,6 mortes de humanos", disse a bióloga.
Membro da ONG Instituto de Pesquisa e Conservação de Tamanduás no Brasil, Fernanda Braga também idealizou o Projeto Siga Bem Tamanduá para ser realizado em conjunto com a Companhia Brasileira de Marketing (Cobram), que organiza a Caravana Siga Bem Caminhoneiro. A ideia é sensibilizar os caminhoneiros para a importância da preservação dos tamanduás, animais ainda atropelados propositalmente em razão de superstições.
Integrante do Núcleo de Bioética Ambiental da PUCPR, a bióloga Renata Bicudo Molinari também tem um projeto que aposta na educação como forma de reduzir a mortalidade da fauna silvestre. Ela defende que a inserção da temática nas escolas seria uma forma de contribuir para baixar o número de animais silvestres mortos em rodovias. "Não adianta falar só de ecologia. Tem que educar os jovens, que serão os futuros condutores. Estamos tentando trabalhar com adolescentes do terceiro ano do ensino médio e do CEEBJA (Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos)", afirmou Renata. "O grande problema é que esse é um tema relativamente recente", acrescentou a bióloga que em 2013 fez um trabalho de campo para coleta de mamíferos de médio e grande porte mortos em trechos da PR-407 e PR-508, sentido litoral. "Teve muita incidência de Leopardus tigrinus (gato-do-mato-pequeno) e tamanduá-bandeira, ambos ameaçados de extinção." (S.S.)

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