Biodiversidade do BR vale R$ 4 tri
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de julho de 2000
Edson Luiz Agência Estado De Brasília 
Finalmente o Brasil vai saber o quanto custa um dos maiores patrimônios do País: a natureza. Detentor de cerca de 20% da diversidade biológica do planeta, o País ainda não tinha idéia da valorização dos recursos naturais. Mas um grupo de técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) calculam, inicialmente, que a nossa biodiversidade vale hoje em torno de R$ 4 trilhões, cinco vezes mais o Produto Nacional Bruto.
Até 2002, o governo espera ter exatamente os valores dos
recursos naturais. Tanto é que o Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e centro de pesquisas de várias universidades brasileiras estão começando a fazer este levantamento. As duas primeiras pesquisas foram iniciadas nos Parques Nacionais do Iguaçu e de Superagui, no Paraná, onde ficou constatado que a valoração está muito abaixo do esperado.
O estudo nas duas áreas demonstrou, por exemplo, que a
relação dos benefícios ecológicos e recreativos que proporcionam ao País são poucas e o que oferecem está muito acima dos gastos do governo com conservação, preservação e manutenção. O Parque do Iguaçu foi escolhido por estar entre uma das maiores biodiversidades do mundo.
O Parque Superagui faz parte do Complexo Estuarino
Lagunar, um dos mais valiosos ecossistemas costeiros do mundo. Tem um dos mais raros bancos de dados genéticos de conservação da Mata Atlântica, onde se localiza, e de organismos marinhos. Sua preservação é maior porque o acesso de visitantes é difícil.
A pesquisa será feita em sete áreas - Amazônia, cerrado,
Mata Atlântica, caatinga, zonas costeiras, manguezais e campos sulinos - além dos parques nacionais. - Segundo o gerente de Conservação de Ecossistemas do Ibama, Moacir Bueno Arruda, também coordenador do projeto, o estudo vai, além de facilitar o trabalho diário de preservação ambiental, reforçar o peso econômico do patrimônio natural do País.
Os técnicos definiram onde serão realizados os próximos
levantamentos. Os mangues - um dos sistemas mais frágeis - serão analisados em Florianópolis, enquanto que o bioma do cerrado está sendo feito no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Os dois trabalhos devem ser concluídos ainda este ano. Na Amazônia, os técnicos iniciaram os estudos preliminares e levantarão também os recursos hídricos, além dos florestais. Em seguida, serão pesquisadas as caatingas, que possuem uma das vegetações mais raras do mundo.


