Bingueiras definiam vencedores de licitação
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Depoimentos de testemunhas confirmaram o esquema de sorteio entre empreiteiras na sede da Associação Paranaense de Empresários de Obras Públicas (Apeop) para decidir qual delas participaria de determinada licitação. A informação foi passada, ontem, pelo delegado do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), Sérgio Inácio Sirino, que tem até depois de amanhã para concluir o inquérito.
Segundo o delegado, mais de uma pessoa teria relatado que era usada uma ''bingueira'' equipamento de sorteio de bolas numeradas para escolher o ''vencedor'' da licitação. Seis das 13 secretárias que estão sendo ouvidas pelo Nurce, informou Sirino, também teriam confirmado o agendamento de reunião na Apeop para discutir a concorrência da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). A polícia tem indícios de que a licitação para contratação de execução de obras viárias do Programa Integrado de Transportes de Passageiros da RMC (PIT) foi manipulada para se elevar o preço em 25%, de R$ 52,3 milhões para R$ 70 milhões.
Cinco das seis pessoas envolvidas em supostas fraudes de licitações públicas
conseguiram sair em liberdade anteontem e ontem, amparadas em habeas corpus que revogou a prorrogação da prisão temporária que havia sido determinada na última sexta-feira. Entre eles, o presidente da Apeop, Emerson Gava, e o vice Fernando Afonso Gaissler Moreira. Ambos ainda não prestaram depoimento.
Segundo um dos advogados da Apeop, Rodrigo Rosa, a Justiça teria julgado ''inconsistentes'' os pedidos de prorrogação das prisões. De qualquer forma, o advogado afirmou que eles estão à disposição para prestar esclarecimentos.
A revogação das prisões, segundo o delegado, é ''irrelevante'', pois eles teriam se comprometido a depor. ''A preocupação maior, agora, é concluir o inquérito'', afirmou o delegado. Ele não descarta, no entanto, a possibilidade de pedir prisão preventiva de parte dos envolvidos. Sirino não revelou nomes.
De acordo com Sirino, Gava e Moreira devem comparecer hoje ao Nurce. Também são esperados, hoje, dois empresários da Construtora Delta, do Rio de Janeiro, que junto de outras seis pessoas tiveram prisão temporária decretada, mas não chegaram a ser detidos. Dos 27 mandados de prisão expedidos, 19 foram cumpridos. Treze pessoas foram liberadas a pedido da própria polícia, depois de prestar depoimento.
Até o início da noite de ontem, apenas o diretor técnico da Comec, Lucas Bach Adada permanecia preso. Segundo a polícia, ele teria ajudado a elaborar a justificativa técnica para aumentar o valor máximo da licitação feita pelo órgão para obras viárias. A Folha tentou ouvir o advogado de Adada, Cláudio Dalledone Junior, mas, até o fechamento desta edição, ele não retornou os recados deixados em seu escritório e no celular.


