Brasília, 29 (AE) - Os bingos de São Paulo estão sendo apontados como os campeões de sonegação de Imposto de Renda no setor, em todo o País, na avaliação do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp), feita com base na análise da arrecadação declarada, em relatório, por bingos de 15 Estados. Os 93 bingos paulistas, que correspondem a 36,6% dos bingos cadastrados desde janeiro de 1998, são responsáveis por apenas 2,3% do total do faturamento no setor. A Polícia Federal vai fechar todos os bingos que estão operando sem autorização. O documento será enviado para a Receita Federal, o Ministério Público (MP) e o Tribunal de Contas da União, com pedido do Indesp para que todas as casas sejam investigadas.
Hoje, o Indesp cassou a autorização da empresa Neojuegos. É que as máquinas eletrônicas programadas (MEPs) estão proibidas por decreto presidencial desde a semana passada. O MP diz que a empresa é ligada à máfia italiana. "São Paulo sonega mais", afirmou o presidente do Indesp, Augusto Viveiros, ao fazer, hoje, o anúncio do relatório. Os 254 bingos eventuais e permanentes que foram cadastrados nos últimos dois anos, nos Estados cuja fiscalização é de responsabilidade do Indesp, tiveram faturamento de R$ 147 milhões. Os 93 bingos paulistas declararam faturamento de R$ 3,4 milhões.
Para Viveiros, a sonegação fica evidente quando se compara o faturamento declarado por São Paulo com o do Piauí. Os 14 bingos do Piauí declararam faturamento de R$ 9,9 milhões no período analisado, quase três vezes mais que São Paulo. E, enquanto os bingos de São Paulo recolheram R$ 310 mil em impostos, os do Piauí contribuíram com R$ 1,4 mihão, quatro vezes mais. Um bingo de Sorocaba (SP), que será investigado, declarou ter faturado apenas R$ 7 mil em novembro de 1998, valor considerado baixo para o padrão do negócio. Fechamento - Pessoalmente, o ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, defende o fechamento de todos os bingos do País. Para ele, faz-se necessário encontrar mecanismos de sustentação dessas casas. O governo enviará o relatório à Polícia Federal pedindo o fechamento dos bingos que não prestaram contas. Apesar de ter emitido as 93 autorizações em São Paulo, o governo só recebeu 27 prestações de contas, de 16 entidades esportivas do Estado.
O governo vai chamar a Brasília todas as federações, para dar esclarecimento sobre as formas de aplicação do dinheiro. Os bingos, juntos, dizem ter repassado R$ 9 milhões às entidades esportivas, nos últimos dois anos. Secretários dos 12 governos que fecharam convênios para administrar os bingos também serão convocados. O Estado que não prestar contas terá o contrato rescindido. O governo quer unificar as legislações desses Estados com as regras federais. A medida é questionada pelo diretor do Indesp, por entender que o governo não tem controle sobre os bingos.

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