Bingos clandestinos serão fechados
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terça-feira, 25 de novembro de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Central de Inquéritos de Curitiba deve determinar, ainda nesta semana, a apreensão de equipamentos de mais seis bingos de Curitiba que estão funcionando clandestinamente. No final da tarde de sábado, policiais do Centro de Operações de Policiamento Especial (Cope) da Polícia Civil já fizeram uma operação neste sentido. Cumprindo mandado de busca e apreensão expedido pelo juiz Marcelo Ferreira, da Central de Inquérito, os policias fecharam o Kennedy Center Bingo e apreenderam todo material usado em jogos encontrado no recinto.
A Folha já havia publicado matéria, na semana passada, sobre o funcionamento ilegal do bingo, que teve pedido de reabertura negado pelo Tribunal Regional Federal (TRF) de Porto Alegre, em despacho dado no último dia 4 de novembro. Segundo o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, só quatro estabelecimentos no Estado têm amparo legal, expedido pelo TRF para funcionamento, sendo dois em Curitiba e dois em Londrina. ''O restante, se abrir, vai ser fechado e o material apreendido'', afirmou Lacerda.
''Nós fechamos aquele estabelecimento várias vezes. Os responsáveis eram conduzidos para a delegacia para lavrar um termo circunstanciado, a casa era lacrada, mas no dia seguinte eles abriam as portas de novo'', disse o delegado adjunto do Cope, Messias Antonio da Rosa, explicando que a aprensão do material no Kennedy Bingo foi o modo encontrado para evitar novas reincidências.
Quando a polícia chegou no local, por volta de 18 horas de sábado, cerca de 150 pessoas estavam jogando. Os policiais determinaram a saída de todos e retiraram todos os equipamentos usados nas apostas, entre computadores, cartelas, fios e outras máquinas. O equipamento ficará em um depósito na Central de Inquérito.
A queda de braço entre o governo do Estado e as casas de bingo começou em abril, quando o governador Roberto Requião (PMDB) assinou decreto cassando resolução assinada pelo seu antecessor, o ex-governador Jaime Lerner (PSB), que regulamentava o funcionamento dessas casas de jogos. Os donos dos bingos reagiram e de lá para cá há uma guerra de liminares na Justiça. O presidente do Sindicato das Empresas de Bingo do Paraná, Luiz Eduardo Dib, disse ontem que o caso do Kennedy Bingo é isolado. ''Nossa recomendação é para que as casas que não têm autorização judicial para funcionar, permaneçam fechadas'', disse.
Segundo o advogado do Kennedy Bingo, Eldes Martinho Rodrigues, a empresa estava abrindo suas portas por entender que o decreto de Requião não determina o fechamento das casas, apenas anula a resolução anterior. ''Tanto que os bingos só passaram a ser fechados depois que o Ministério Público disse que estaria havendo prática de delito'', diz. Como recurso judicial, segundo Rodrigues, há uma medida cautelar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujo despacho está sendo aguardado pelo Kennedy. A empresa também está ingressando com recurso no TRF.
Em Curitiba, Rodrigues está ingressando com pedido de devolução dos equipamentos, não apenas desta apreensão de sábado, mas também de outra apreensão, feita em abril, mas que não foi alvo de inquérito policial.
Dib acredita que o impasse entre governo e os bingos possa ter um resultado em breve. Segundo ele, o setor está se articulando junto a deputados federais da bancada paranaense, deputados estaduais e vereadores, e já teria apoio de grande parte destes. Ele também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já se manifestou favorável à reabertura dos bingos e que uma comissão interministerial está estudando meios de regulamentar o setor.


