Cairo, 06 (AE-AP) - Osama Bin Laden, o inimigo número 1 dos americanos, recebeu recentemente milhões de dólares em doações de empresários sauditas e do Golfo para ajudá-lo a revigorar sua campanha contra os Estados Unidos, informaram hoje (06) fontes.
As grandes doações, a maioria em zakat, ou taxas pagas por muçulmanos como doações, foram as primeiras feitas desde que Washington colocou Laden na sua lista dos 10 Mais Procurados em janeiro e ofereceu uma recompensa de US$ 5 milhões por sua captura.
As fontes, falando à Associated Press no Cairo, disseram que bin Laden pode ter recebido mais de US$ 50 milhões antes de as autoridades sauditas terem recentemente descoberto as doações e bloqueado as transferências.
"Sem a interferência (do governo saudita), bin Laden poderia ter conseguido muito mais", disse uma fonte, pedindo para não ser identificada.
As fontes, incluindo empresários sauditas, afirmaram que a monarquia tem questionado vários líderes empresariais depois que seus nomes surgiram entre os doadores sauditas.
Um dos questionados foi o proprietário saudita da maior agência de publicidade do Golfo que foi severamente repreendido pelas autoridades da Arábia Saudita, afirmaram as fontes, sem dar o nome do dele.
Acredita-se que Bin Laden recebeu milhões de dólares de doadores muçulmanos, principalmente empresários sauditas e do Golfo, quando na década de 80 ele lutou ao lado dos mujahedeen afegãos contra as antigas tropas soviéticas.
Mas ele estaria enfrentando problemas financeiros depois que Washington liderou esforços mundiais para reprimir sua rede mundial e congelar seus bens no exterior.
Novas contribuições provavelmente ajudariam o exilado dissidente a montar uma nova rede de atividades e acelerar qualquer plano para ataques contra interesses americanos.
Zakat, é uma taxa de 2.5% que muçulmanos abastados pagam a seus pobres correligionários, mas clérigos radicais dizem que ela também pode ser paga para promover causas islâmicas.
Muitos na Arábia Saudita e no Golfo vêem bin Laden como um ícone maior do que a vida e um fiel muçulmano que abriu mão do conforto de uma herança multimilionária para viver numa caverna e combater a nação mais poderosa do mundo.
O governo saudita retirou a cidadania de bin Laden, filho de um magnata, e sua família o abandonou.
Os Estados Unidos, tem acusado o exilado saudita de ter arquitetado os atentados a bomba de 7 de agosto de 1998 contra suas embaixadas no Quênia e Tanzânia, que mataram 224 pessoas e feriram milhares.
Bin Laden tem negado qualquer participação em ataques contra americanos, mas, numa entrevista a uma televisão árabe no mês passado, ele expressou admiração pelas pessoas que bombardearam forças dos EUA na Arábia Saudita em 1995 e 1996 e disse que todos os americanos são considerados alvos.
A inteligência americana suspeita que bin Laden esteja em estágios avançados do planejamento de outro ataque.

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