Após 11 dias de silêncio, os sequestradores do comerciante e compositor Wellington José de Camargo, 27 anos, irmão da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, enviaram, na madrugada de ontem, uma nova prova de que ele está vivo e bem de saúde. A prova, na forma de um bilhete escrito pelo próprio Wellington, foi deixada em uma rodovia do interior goiano, a cerca de 150 quilômetros de Goiânia. O bilhete foi apanhado pelo advogado da dupla, Paulo Viana, que é o negociador do sequestro. Antes do bilhete, os sequestradores fizeram uma ligação para Viana informando onde poderia encontrá-lo.
No bilhete, Wellington dizia que sua saúde estava boa, mas que já estava bastante cansado com a demora nas negociações. Ele também afirmava que os sequestradores estavam exigindo que a polícia saísse novamente do caso para que os contatos pudessem ter continuidade.
Ainda no bilhete, o refém informou também que os sequestradores estavam irredutíveis quanto ao valor pedido inicialmente pelo resgate - US$ 5 milhões. Anteontem, ao confirmar que os sequestradores já haviam pedido o resgate na primeira e nas duas últimas ligações, o advogado da dupla afirmou que essa quantia era irreal, e que os cantores não conseguiriam tê-la nem mesmo se vendessem todos os bens que já conquistaram. Viana disse que a família continua disposta a negociar com os sequestradores.
O chefe do GAS (Grupo Anti-Sequestro), delegado Marcos Martins Machado, disse que não irá interferir nas decisões da família sobre o valor a ser pago aos sequestradores. Ele afirmou que o grupo tem como meta primordial preservar a integridade física do refém.
O delegado disse que o bilhete, reconhecido pelos parentes como sendo realmente de Wellington, serviu de consolo a seus parentes. Paralítico desde os dois anos de idade, Wellington foi sequestrado por quatro homens encapuzados na noite do dia 16 de dezembro, em sua residência, no Jardim Europa, em Goiânia.

mockup