Bilhete para Lopes seria entregue à CPI, garante Cacciola
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
por Nélia Marquez 
Brasília, 20 (AE) - O dono do banco Marka, Salvatore Alberto Cacciola, disse há pouco, em entrevista à TV Globo, quando de sua chegada a Brasília, que o bilhete que escreveu a mão ao ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, publicado pela revista "Isto É", estava dentro de um envelope, junto com a carta que ele encaminhou ao ex-diretor de Fiscalização do BC, Cláudio Mauch, com uma série de documentos que ele estava preparando para encaminhar à CPI. Cacciola preferiu não fazer avaliações se a situação do bilhete poderia melhorar sua situação e disse que, em respeito à CPI, só vai fazer declarações depois do depoimento dele à comissão.
Quanto à expressão "esquecer tudo", contida no fim do bilhete a Chico Lopes, ele disse que "não tem nada a ver com nada. É em relação a meu emprego". Cacciola negou que tenha qualquer tipo de contrato com a Macrométrica, mas tem contrato com duas empresas, a MCM e a Tendências, das quais recebe análises financeiras. O advogado do empresário, Antônio Carlos de Almeida Castro, explicou que a casa que Cacciola transferiu para a ex-mulher, em Angra dos Reis, faz parte da negociação dele relativa ao divórcio de seu casamento anterior. Almeida Castro informou, também, que o bilhete de Cacciola a Chico Lopes
divulgado pela "Isto É", foi escrito na ante-sala do ex-presidente do BC, no dia em que este não quis receber o banqueiro. Almeida Castro, entretanto, considerou um absurdo o fato de o bilhete ter parado nas mãos da revista. Sobre a remessa de dinheiro ao exterior, Cacciola disse que vai explicá-la "a quem entende", que é o Banco Central. O banqueiro anunciou que dará entrevista após seu depoimento à comissão de sindicância do Banco Central.


