Brasília, 20 (AE) - O bilhete de Alberto Cacciola para Francisco Lopes, encontrado pelos procuradores em sua casa, no Rio de Janeiro, e divulgado pela revista "IstoÉ", constitui, segundo o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, a primeira boa prova que favorece seu cliente. "O bilhete é de uma pessoa desesperada que tenta, pateticamente, salvar o seu negócio", declarou o advogado. Cacciola, dono do banco Marka, foi ouvido hoje pela Comissão de Sindicância do Banco Central.
Segundo Almeida Castro, o bilhete foi escrito por Cacciola no dia 13 de janeiro, na ante-sala do presidente do BC, Francisco Lopes, que se negou a recebê-lo. "O bilhete foi entregue para um assessor de Francisco Lopes e enviado, por fax, para o Rio por Cacciola para os seus sócios", disse o advogado. Almeida Castro também argumentou que, ao contrário do que julgou a justiça, o fato de Cacciola tratar o presidente do BC por Francisco não demonstra qualquer intimidade.
"Todo mundo sabe que o doutor Francisco Lopes é tratado, por seus amigos, apenas por Chico Lopes." As declarações do advogado foram feitas na portaria principal do Banco Central, em Brasília, enquanto Cacciola prestava depoimento à Comissão de Sindicância. De acordo com Almeida Castro, seu cliente estava tranquilo porque não tinha nada a esconder. "Antes estávamos tendo apenas as versões do fato e somente agora é que começa a surgir a verdade", disse. Segundo o advogado, no depoimento Cacciola foi questionado sobre sua relação com o Banco Central e as pessoas que ele conhece dentro da instituição.
Na opinião de Almeida Castro, o ilegal foi a divulgação do bilhete. O advogado insinuou que foi o próprio Ministério Público, responsável pelo sigilo das informações, que repassou o bilhete para a imprensa. Ele criticou a ação do Ministério Público no caso, dizendo que os procuradores não têm poder de julgar e que promoveram uma brutal selvageria contra o seu cliente. "O prejuízo moral será reparado no devido momento", declarou.
O advogado também divulgou uma correspondência que chegou , via fax, ao Banco Central durante o depoimento de Cacciola. Nela dois dos três personagens citados pela revista Veja, Leon Sayeg e Omar Jahic, que assinam o documento, negam que Cacciola tenha admitido a existência de um esquema de informações privilegiadas com o BC. Na carta eles afirmam que Cacciola nunca mencionou a palavra "privilegiada" junto ao termo informação e que, em nenhum momento da reunião realizada no dia 9 de fevereiro Cacciola "deu indícios ou mencionou a existência de esquemas, propinas ou informantes".
De acordo com a correspondência, na reunião, o presidente do banco Marka disse textualmente o seguinte: "Nós tínhamos informações do Banco Central de que a banda cambial só iria ser alargada em meados de fevereiro". O advogado de Cacciola atribuiu a demora do depoimento, que avançou pelo período da tarde, ao fato do seu cliente falar muito. "Ele é italiano e adora falar, disse. Almeida Castro adiantou que, instruído por ele, Cacciola não falaria com a imprensa até depor na CPI do Bancos.
Na chegada a Brasília, no entanto, Cacciola explicou que o bilhete que escreveu para Francisco Lopes estava dentro de um envelope, com a carta que encaminhou para o ex-diretor de Fiscalização do BC Cláudio Mauch e mais uma série de documentos que estava separando para encaminhar à CPI. Cacciola afirmou que a expressão "esquecer tudo", contida no final do bilhete, "não tem nada a ver com nada, é com relação ao meu emprego". Sobre a remessa de dinheiro para o exterior, Cacciola disse que "vai explicá-la a quem entende", que é o Banco Central.
O advogado de Cacciola disse que a transferência da casa de Cacciola em Angra dos Reis para a ex-mulher foi perfeitamente legal. "Ele fez um acordo com a ex-mulher para não pagar mais pensão para os filhos", justificou.

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