Bilhetagem eletrônica é aprovada em sessão tensa
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terça-feira, 24 de março de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem local 
Cascavel A Câmara de Vereadores de Cascavel (Oeste) manteve o placar de 13 votos a sete e a bilhetagem eletrônica para o transporte público foi aprovada em segunda votação durante sessão tumultuada na tarde de ontem. Com o temor de que a medida cause 300 demissões de cobradores, os trabalhadores que paralisaram os serviços do transporte público por algumas horas na cidade na última segunda-feira lotaram o plenário com gritos de "greve". Durante a votação, os manifestantes que acompanhavam a sessão do lado de fora da Câmara, por restrição da lotação máxima, invadiram o prédio. A Polícia Militar precisou intervir durante um desentendimento entre um sindicalista e um assessor de vereador.
O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Cascavel (Sinttracovel), Paulino Moreira, informou que o sindicato descartou qualquer tentativa de greve, mas que vai tentar reverter a situação na Justiça. "É um projeto inconstitucional impedir que o cidadão pague a tarifa em dinheiro. Além disso, vamos lutar para que 300 pais de família não percam o emprego", argumentou.
O presidente da Câmara e um dos proponentes do projeto, Gugu Bueno (PR), comemorou a aprovação da matéria que, segundo ele, vai trazer mais agilidade e segurança para os cerca de 100 mil usuários do transporte coletivo, além dos próprios funcionários. "Não há como lutarmos contra a tecnologia. Com os recursos atuais, podemos evitar novos aumentos da tarifa se eliminarmos os cobradores, mas isso não quer dizer que estes trabalhadores ficarão sem emprego", garantiu.
Bueno ressaltou que o projeto foi aprovado com uma emenda que obriga as concessionárias do transporte público a manter todos os funcionários. "Se houver qualquer demissão, o projeto de lei automaticamente perde o efeito. Estamos respaldados, não tem como esses trabalhadores perderem o emprego", avaliou.
O presidente da Câmara informou que a alta rotatividade nas empresas deve contribuir para o remanejamento. "À medida que novas vagas forem abertas, para cargos como motoristas ou auxiliares administrativos, as empresas vão remanejando estes funcionários", explicou. "Vale lembrar que a bilhetagem eletrônica deve demorar de 10 meses a um ano para começar a funcionar. Até lá há tempo para os ajustes necessários", completou.


