Bier questiona sustentabilidade da alta do petróleo
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por João Fábio Caminoto, especial para a AE 
Londres, 16 (AE) - O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, disse nesta quarta-feira (16) em Londres que a alta no preço do petróleo gerou nos últimos dias uma preocupação excessiva no mundo, sobretudo no Brasil.
"É preciso ver o quão sustentável essa alta é, pois como se sabe esses preços são muito voláteis", disse Bier, que fez uma palestra para cerca de 40 pessoas no International Bond Congress
encerrado ontem na capital britânica. Bier disse que vem notando uma grande preocupação com a situação da economia norte-americana.
"Há uma preocupação evidente, em vários foros, inclusive aqui na Grã-Bretanha, com o que está acontecendo com a economia norte-americana. Houve um período muito prolongado de crescimento, um processo de valorização muito forte do mercado acionário. Há a preocupação das consquências de uma possibilidade de reversão abrupta desse quadro. Eu acho que a pergunta que se cabe é qual é a probabilidade de uma reversão abrupta. O Federal Reserve deve anunciar novas elevações nas taxas de juros ao longo do ano, isso já está incorporado às expectativas do mercado. Para que haja um reflexo grande no Brasil ou no mundo seria necessário que o movimento fosse muito mais brusco, que não parece ser o cenário mais provável", afirmou.
Bier disse também que não vê "nenhuma inconsistência" no fato de a economia brasileira crescer e a inflação se manter dentro das metas estabelecidas para o ano 2000.
"Acho que essa inconsistência inexiste, sobretudo en função da capacidade ociosa em setores de produtos duráveis que são muito sensíveis ao aumento da disponibilidade de crédito. E a tendência dos juros no Brasil é de queda ao longo deste ano. Várias medidas estão sendo tomadas e outras estão em estudos para reduzir os spreads bancários no Brasil, proces so esse aliado ao grau de competição no mercado bancário", afirmou.
Bier disse também que a estimativa oficial de que o Brasil deverá captar cerca de US$ 25 bilhões em investimentos estrangeiros diretos poder ser superada. "Acredito que possa ficar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões."
Segundo ele, o superávit da balança comercial deve ficar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões este ano. Sobre as restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras de aço laminado a frio, Bier disse que o governo brasileiro está agindo no caminho "de defender os interesses do País".
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda disse também que vê um ambiente muito mais favorável e receptivo ao Brasil do que no ano passado. "As perspectivas são muito boas. Não se fala mais com insistência na questão cambial, por exemplo."
Bier, que permanece em Londres até sexta-feira, deve se reu nir com diretores de bancos privados europeus e o diretor do Banco da Inglaterra, Eddie George.


