São Paulo, 20 (AE) - Com os US$ 200 milhões liberados hoje pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) pretende nos próximos três anos terminar com as ligações de esgoto clandestinas e irregulares e chegar a um índice de 90% de casas atendidas. "Da população possível de ser atendida será praticamente o total", disse o superintendente do Projeto Tietê
José Carlos Ribeiro Leite. A verba liberada pelo BID é para a segunda etapa do projeto de saneamento básico que tem por finalidade a despoluição do Rio Tietê. A mesma quantia será investida pela Sabesp de acordo com o contrato assinado pelo governo e pelo BID.
O rio, segundo Leite, é indicador de saúde pública, de condições de habitação e de cidadania dos moradores da Grande São Paulo. O diretor da organização não-governamental SOS Mata Atlântica Mário Mantovani concorda. Analisando a composição da poluição do Tietê, segundo ele, é possível perceber a influência dos principais problemas da Região Metropolitana. Esgoto significa falta de saneamento básico. Terra, falta de políticas para o uso e ocupação do solo e o surgimento de loteamentos clandestinos. Lixo, falta de consciência ambiental por causa do baixo índice de educação da população. Sintomas que, para Mantovani, representam o atraso da cidade, que para ele ainda está na Idade Média - "quando as cidades tinham esgoto correndo pelas ruas".
Para Leite, a sociedade soube perceber que a despoluição do rio é antes de tudo um reflexo de melhoria da qualidade de vida. Em 1991, a reinvindicação virou uma campanha com 2 milhões de assinaturas encampada pela Rádio Eldorado. "Essa pressão foi fundamental para que o projeto de despoluição tivesse início", disse Leite. Em 1992, 60% da população tinha casa interligada à rede de esgoto. Hoje esse número subiu para 80%. Isso, entretanto, ainda não foi suficiente para reduzir a poluição. A capacidade da Sabesp de tratar 18 mil litros por segundo de esgoto nas cinco estações de tratamento da Grande São Paulo é utilizada apenas pela metade porque o esgoto não chega às estações. Isso é um dos motivos de crítica de Mantovani ao governo, apesar dele achar o projeto um modelo. "Construíram estações de tratamento antes de fazer as ligações". Aves - A segunda etapa do projeto prevê o aumento do volume de esgoto tratado. "Pretendemos atingir a capacidade total das estações", disse Leite. Hoje, a Grande São Paulo produz 32 mil litros de esgoto por segundo. Marca que ficará para a terceira etapa do projeto. Depois, de acordo com ele, será a vez das prefeituras corrigirem os outros problemas, como o lixo. Se o esgoto ainda é um problema para a vida no rio, o secretário de Meio Ambiente, Ricardo Tripoli comemora a presença de aves e roedores no Tietê. "Com o monitoramento das indústrias conseguimos reduzir o índice de dejetos químicos lançados".

mockup