Rio, 19 (AE) - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vai anunciar amanhã (20) a liberação de US$ 200 mil para uma organização não-governamental (ONG) brasileira, a ser escolhida entre cinco projetos de trabalho sobre mulheres em posições destacadas na sociedade. Outros US$ 150 mil foram entregues nos últimos 15 dias para três ONGs do gênero. Os recursos fazem parte de um projeto do banco de incentivar a criação de lideranças femininas. A liberação de verbas coincide com a realização, no Rio, de um workshop reunindo 52 líderes feministas da América Latina.
Segundo a coordenadora do Programa de Liderança e Representação da Mulher (Prolead) do BID, Ana Maria Brasileiro, o banco tem interesse em remover os obstáculos à participação da mulher na política e em importantes cargos empresariais. A verba de US$ 200 mil será dada a uma ONG que terá o compromisso de repassar o dinheiro a outras entidades. "Essa organização vai funcionar como intermediária num projeto que tenha três ou quatro parceiros", explicou.
O restante do orçamento de US$ 350 mil destinados ao Brasil foi repartido igualmente entre três entidades, a Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), do Rio; o Centro de Projetos da Mulher (Cemina), também do Rio, e o Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA), de Brasília. Ana Maria disse que a Redeh vai desenvolver um trabalho em seis municípios do Rio, batizado de Fortalecimento da Liderança Local de Mulheres para o Desenvolvimento Sustentado, integrando lideranças femininas aos conselhos de meio ambiente. O Cemina vai usar os US$ 50 mil para preparar jovens lideranças; o CFEMEA pretende mapear a participação da mulher na política.
Experiências - O anúncio da liberação dos US$ 200 mil deverá ser feito na abertura do workshop, amanhã à noite. De quinta-feira até sábado, as participantes vão trocar experiências sobre a formação de jovens lideranças. "A idéia é criar uma forma de as mulheres, com mais experiência, mais recursos políticos, poderem passar isso para as mais jovens, como mentoras", afirmou Ana Maria. "Os homens fazem isso nos seus clubes do Bolinha, em associações comerciais e coisas assim, mas não há um mecanismo feminino para isso".
Entre as convidadas estão a secretária-geral do Partido Revolucionário Institucional (PRI) do México, Dulce Maria Sauri, pré-candidata à Presidência da República; a chilena Mayra Buvinic, diretora da divisão de desenvolvimento social do BID e a brasileira Branca Moreira Alves, do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

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