A aprovação, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de um crédito de US$ 82,5 milhões para um projeto de preservação do Pantanal brasileiro vai garantir a proteção total de 10% das florestas da maior área alagada do mundo, anunciou ontem o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), José Carlos de Carvalho. Atualmente apenas 2% da área do Pantanal, de 138 mil quilômetros quadrados, são totalmente protegidos.
Na primeira fase do projeto, os investimentos chegarão a US$ 165 milhões - incluindo a contrapartida brasileira -, em um período de quatro anos, informou Carvalho. Esses recursos serão utilizados em projetos para melhorar a qualidade da água dos rios do Pantanal, incentivar o ecoturismo, reduzir o assoreamento e a contaminação das bacias por agrotóxicos e desenvolver atividades economicamente sustentáveis em áreas indígenas. O programa prevê ainda a construção de 122 pontes de concreto ao longo dos 140 quilômetros da rodovia Transpantaneira.
Segundo Carvalho, os recursos do BID começam a ser desembolsados a partir do primeiro trimestre de 2001. Antes o Congresso terá que aprovar os critérios do financiamento, com carência de quatro anos e 20 para pagamento. Os juros do empréstimo são de 6,13%.
Na fase inicial, segundo Carvalho, o programa incentivará, por meio do gerencimento e da conservação dos recursos naturais, projetos destinados à melhoria da qualidade de vida da população. A meta é promover ações em 30 municípios, beneficiando diretamente cerca de 2 milhões de pessoas.
Também estão previstas ações de adaptação ambiental e reforma de estradas-parque, programas de saneamento nos municípios da bacia do Alto Paraguai, investimentos em melhorias em Unidades de Conservação e destinação de recursos para terras indígenas. De acordo com Carvalho, o programa de preservação do Pantanal é hoje o maior projeto ambiental já desenvolvido pelo governo brasileiro.
Carvalho anunciou ainda que o Programa Pantanal deverá investir US$ 400 milhões na região em oito anos. Isso, avalia, deve mudar substancialmente as atividades econômicas do Pantanal, principalmente àquelas relacionadas com a pesca, o turismo e a agropecuária. O secretário-executivo do MMA acrescentou, também, que todos os projetos na região pantaneira somente serão executados após uma ampla discussão com as comunidades locais.
Mais de 650 espécies de pássaros, cem tipos de mamíferos, 260 tipos de peixes e 50 de répteis fizeram com que o Pantanal brasileiro fosse recentemente escolhido como Patrimônio Natural da Humanidade.

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