BID adia aprovação de recursos da ajuda internacional ao Brasil
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Fredy Krause e Gustavo Alves 
Rio, 24 (AE) - A diretoria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) adiou para a primeira quinzena de março a aprovação do empréstimo de US$ 3,6 bilhões que ainda falta para completar a participação do banco, no valor total de US$ 4,5 bilhões, na ajuda financeira internacional de US$ 41,6 bilhões ao Brasil. Até agora a diretoria da instituição aprovou uma primeira parcela de US$ 1,1 bilhão, cujo contrato deverá ser assinado quando o Senado aprovar a operação.
A justificativa oficial para o adiamento da aprovação desses recursos agora, no fim de fevereiro, é que o detalhamento dos projetos a que serão destinados ainda está em exame pelo BID. Mas, na prática, como admitem assessores do BID, como esses recursos estão atrelados ao acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o adiamento ocorre sobretudo no aguardo do fechamento da renegociação do acordo do Brasil com o Fundo.
BNDES - A operação envolvendo os US$ 1,1 bilhão foi aprovada, em dezembro, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e deve ser votada amanhã (25) no plenário, segundo o superintendente financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Isaac Zagury.
Ele explicou hoje que a primeira parcela dos recursos do BID vai ser aplicada em linhas de financiamento do banco para pequenas empresas, mas o dinheiro entrará diretamente para as reservas internacionais do País. "Será muito importante para fortalecer nossas reservas", lembrou.
O superintendente financeiro do BNDES informou que o dinheiro entrará no Brasil em três parcelas. A primeira delas, de US$ 400 milhões, deve chegar em abril. As outras duas, cujo valor Zagury não soube definir, serão liberadas no meio e no fim do ano. A forma de liberação está vinculada ao contrato negociado com o BID, explicou o superintendente financeiro do banco.
As condições de pagamento do empréstimo são de 20 anos para quitação, com taxa de juros em torno de 7% ao ano. Segundo Zagury, as dificuldades econômicas pelas quais o Brasil passa desde a moratória russa, no segundo semestre de 1998, não mudaram a quantia inicialmente prevista para ser emprestada nem a taxa de juros.
Os US$ 3,6 bilhões restantes podem ser liberados durante a Assembléia Anual do BID, que começa dia 15 de março, em Paris, e para a qual está convidado o ministro da Fazenda, Pedro Malan.


