O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Hamilton Carvalhido, tomará o depoimento do banqueiro do jogo de bicho Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho Drumond, acusado por uma testemunha de ser o mandante do assassinato do contraventor Paulo Roberto Andrade, o Paulinho Andrade, filho do falecido Castor de Andrade. Ele foi assassinado em 21 de outubro, na Barra da Tijuca, no Rio.
Luizinho Drumond, presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa) e da Imperatriz Leopoldinense, considerou ‘‘absurda’’ a acusação. ‘‘Sempre fui amigo do Paulinho de Andrade e jamais o mataria’’, disse o bicheiro. ‘‘Alguém está tentando me incriminar, mas não sei o motivo.’’
A promotora da 1ª Central de Inquéritos, Maria Aparecida Lamoglia, disse que a testemunha, identificada apenas como J.C. B, de 48 anos, ex-presidiário, garante que foi contratado por um ex-policial militar, conhecido como Carlinhos, a mando de Luizinho Drumond, para matar Paulinho Andrade. O crime teria relação com a disputa pelos pontos de aposta do jogo de bicho, principalmente na zona oeste onde é controlado pela família Andrade. A testemunha está sob proteção do Ministério Público e do Serviço Reservado da Polícia Militar.
Segundo a promotora, a testemunha não apresentou problemas mentais e disse ter confiado no seu depoimento. Ela suspeita que a testemunha seria o homem que estaria num Gol branco, do qual o assassino de Paulinho teria desembarcado pouco antes do crime, dia 21 de outubro, na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca.
Ministério Público ainda investiga ligações entre a morte de Paulinho Andrande e o bicheiro Abílio da Silva Aleixo, o Abílio Português. A testemunha não estabeleceu conexão entre os dois casos. Ambos foram assassinados em circunstâncias semelhantes: dentro de seus carros ao sair do trabalho e com pistola nove milímetros. Abílio Português foi morto na zona norte, em agosto deste ano.
Segundo a promotora o testemunho de J.C.B não indicou relação entre as duas mortes. ‘‘Não encontramos uma relação entre os dois fatos’’, afirmou a promotora. O ex-presidiário procurou a Justiça no dia 30 de outubro. Luizinho Drumond reagiu ao saber da acusação. Ele garantiu ser amigo pessoal de Paulinho de Andrade e que os dois nunca tiveram uma discussão. ‘‘Vi esse rapaz crescer, pois também era amigo de Castor’’, ressaltou.
O ex-presidiário procurou a Procuradoria-Geral de Justiça porque teria sido ameaçado de morte depois de ter se recusado a participar do assassinato de Paulinho de Andrade. Em entrevista à rádio ‘‘CBN’’, ontem, J.C.B. contou que estava trabalhando em um lava-jato, no centro do Rio, quando foi convidado por um ex-policial militar, conhecido como Carlinhos, para dirigir um carro para matar Paulinho a mando de Luizinho.

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