Bianco afirma que não reverá as 10 mil demissões de servidores
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por César Guedes (especial para a AE) 
Porto Velho, 28 (AE) - O governador de Rondônia, José Bianco (PFL), disse hoje que não há possibilidade de rever as 10 mil demissões dos servidores públicos estaduais. "Não há nenhuma disposição de discutirmos a possibilidade de reverter essa situação", disse ele, referindo-se à intenção dos representantes sindicais e de líderes políticos em tentar reintegrar esses funcionários.
"Algumas injustiças foram cometidas, mas essas teremos de rever e repor." Ele esteve reunido hoje pela manhã, no Palácio Presidente Vargas, com o senador Rubens Moreira Mendes (PFL-RO), os deputados estadual Silvernani Santos (PFL) e federais Oscar Andrade (PFL-RO) e Expedito Júnior (PFL-RO) e secretários estaduais. Na ocasião, foram discutidas as ações das secretarias para este ano e a reforma administrativa - aprovada pela Assembléia Legislativa, a partir de terça-feira (01).
"Não foi um ato impensado; há uma imposição legal e uma imposição da economia do Estado que exige rabaixamento da folha de pagamento; agimos de acordo com o que a lei nos permite fazer; acredito que as demissões atingiram uma economia de R$ 7 milhões na folha de pagamento, como esperávamos; havia um excesso extraordinário de servidores", disse Bianco, acrescentando que vem agindo com cautela quanto à necessidade de novas demissões. "Os servidores que permanecerem no quadro devem se preocupar em continuar em seu local de trabalho."
A Secretaria de Educação adiou o início do ano letivo para 9 de março. O Sindicato dos Trabalhadores na Educação (Sintero) diz que as aulas estão comprometidas por causa, principalmente, da demissão de 6.400 funcionários da área.
Bianco afirmou que o setor não vai ser comprometido: "O número de professores no quadro é perfeitamente suficiente para atender a todas as escolas do Estado." Em relação à saúde, ele disse que todas as unidades estão funcionando normalmente, "apesar da deficiência no número de médicos". Os diretores de hospitais confirmam a insuficiência de pessoal nas unidades. "A nossa maior atenção é para com a educação e a saúde; não será preciso contratar pessoal para essas áreas", enfatizou o governador.
Hoje pela manhã, os presidentes do Sintero, José Wildes de Brito, e do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sindsaúde), Anildo Prado, estiveram reunidos com o senador Amir Lando (PMDB-RO), os deputados estaduais Daniel Pereira (PT), Mauro Nazif (PSDB), Everton Leoni (PSDB), para discutir a situação dos demitidos. Às 11 horas, eles seguiram para o Tribunal de Justiça (TJ) com três caixas contendo cerca de 3 mil documentos. Uma comissão foi formada para protocolar a ação judicial de reintegração dos servidores demitidos. "Trata-se da maior ação já protocolada em toda história de Rondônia", disse Brito. O senador disse que vai interceder nas negociações dos sindicatos junto ao governador.
Os servidores demitidos fizeram hoje manifestação na Praça Marechal Rondon, no centro de Porto Velho. O ato público teve início com orações e a música Segura na Mão de Deus. Eles estão elaborando um abaixo-assinado com o pedido de renúncia do governador José Bianco, "que desrespeitou a Constituição e os critérios da Lei Camata".
Todo o Palácio Presidente Vargas continua cercado por policiais militares. As ruas que dão acesso ao palácio estão todas bloqueadas. Na Avenida 7 de Setembro, principal via do centro da cidade, o acesso era permitido apenas aos ônibus coletivos.
Na segunda-feira (31), haverá um protesto em frente do Palácio Presidente Vargas, que reunirá caravanas de servidores públicos demitidos de todo o interior do Estado, representantes do Sintero, Sindsaude, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Fórum das Organizações Não-Governamentais (ONGs) e partidos políticos.


