Lahore, Paquistão- A ex-primeira ministra Benazir Bhutto, que esta semana transformou-se na principal líder da oposição, exigiu nesta terça-feira, pela primeira vez claramente, a deposição do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que decretou sua prisão domiciliar pela segunda vez em cinco dias.
Bhutto aproveitou a jornada para multiplicar contatos telefônicos voltada para unificar a dividida oposição paquistanesa e convocar a comunidade internacional a abandonar Musharraf, que se nega a levantar o estado de exceção que impôs há dez dias ao país, apesar de ter anunciado eleições legislativas para antes de 9 de janeiro. ''Musharraf deve ir embora. Acabou o período de ditadura'', declarou Bhutto por telefone a vários meios de comunicação, entre eles a AFP.
A ex-primeira ministra falava da residência de um funcionãrio do seu partido em Lahore (leste), onde está confinada, e que foi cercada pela polícia durante a madrugada.
À noite, as autoridades entregaram a Bhutto uma ordem de prisão domiciliar de sete dias, para que fosse impedida de organizar e participar da ''longa marcha'' que iria liderar, de Lahore a Islamabad, em protesto contra o estado de exceção.
A polícia alegou motivos de segurança, assegurando que a ex-primera ministra é objeto de ameaças de atentado ''precisas e graves''.
Bhutto foi alvo, em 18 de outubro, do atentado mais sangrento da história do Paquistão, no qual morreram 139 pessoas durante uma manifestação convocada en Karachi, por ter regressado ao país após oito anos de exílio. ''Esta casa é considerada a partir de agora uma prisão'', anunciou à AFP o chefe da polícia de Lahore, Ayaz Salim, em referência à residência de Bhutto, isolada literalmente por mais de 1.100 policiais.
Os seguidores do Partido do Povo Paquistanês (PPP) de Bhutto reuniram-se em uma estrada de Lahore, de onde dezenas de automóveis realizaram uma procissão em direção à cidade de Kasur, no leste, perto da fronteira com a Índia.

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