BHC fica exposto em terreno de Apucarana
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Passados mais de 20 anos da proibição do hexaclorobenzeno (BHC), um produto químico extremamente agressivo para o organismo, a população de Apucarana se depara com uma situação inusitada e perigosa. Uma grande quantidade do produto foi encontrada na manhã de ontem num terreno baldio localizado na esquina das ruas Maranhão com Carlos Shimidt, Jardim Apucarana, área urbana da cidade. O pó branco estava enterrado no terreno e foi encontrado por funcionários da prefeitura que foram capinar a área.
A reportagem da FOLHA esteve no local no início da tarde de ontem e encontrou uma grande quantidade de terra misturada ao pó branco, que foi retirada do local e coberta por uma lona preta providenciada por órgãos ambientais. Os técnicos estiveram na área após moradores reclamarem do cheiro forte. Indiferentes aos riscos, alguns não se preocupavam com o isolamento do local. ''Eu não acho que isso seja tão perigoso. Trabalhei por mais de 20 anos na lavoura de café e usávamos esse produto mas nunca me aconteceu nada'', comentou um morador. Funcionários de uma transportadora, que fica ao lado do terreno, disseram não ter visto como a área foi escavada, mas afirmaram que sentiram o cheiro forte durante toda a manhã.
O secretário do Meio Ambiente de Apucarana, João Batista Beltrame, considerou a situação gravíssima. Disse que ia aguardar uma análise do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e que iria acionar o proprietário do terreno. ''Esse produto atua no sistema nervoso central da pessoa que tiver contato com ele. É um crime ambiental gravíssimo e vamos identificar o dono da área para responsabilizá-lo de acordo com toda a legislação vigente'', disse Beltrame.
Funcionários da Vigilância Sanitária de Apucarana e o técnico de saneamento do Ministério da Saúde, Claudenir Tozzi, foram durante a tarde verificar o material. Segundo o técnico, a área faz parte de outras quatro existentes na cidade de Apucarana que estão cadastradas e monitoradas pelo Programa Nacional Vigisolo. ''O programa é recente mas já sabíamos que essa área contava com esse produto enterrado. Por enquanto, ainda estamos em fase de cadastramento das áreas mas o objetivo é cuidar para que não aconteça como ocorreu aqui. A informação que tínhamos é que esse produto não estava tão próximo da superfície'', comentou.
Para quem avistava a quantidade de terra misturada com o BHC, a impressão era de que houve um despejo do produto. Segundo o secretário do Meio Ambiente, o terreno será vigiado por guardas municipais para evitar contato de pessoas.
Somente hoje o material deve ser retirado pelo proprietário.


